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Conheça os desafios e oportunidades do turismo de aventura

Conheça os desafios e oportunidades do turismo de aventura

Você já ouviu falar em turismo de aventura? Apesar de ser pouco falada, a atividade é bastante importante no país: o Brasil é referência no turismo de aventura. Esse mercado já faturou mais de R$ 515 milhões no país, conta com mais de 15 mil colaboradores envolvidos em temporadas normais e mais de 22 mil envolvidos na alta temporada. Por ano, são mais de 5 milhões de pessoas atendidas nessa modalidade no Brasil. 

O turismo de aventura engloba movimentos turísticos decorrentes da prática de atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo. Entre as atividades mais conhecidas estão caminhada (sim, caminhada também é aventura!), arvorismo, cavalgada, bungee jump, cicloturismo, escalada, tirolesa, mergulho, surf e canoagem, por exemplo.

Mercado aquecido

Segundo a consultora especializada em turismo de aventura, Dartilene de Souza e Silva, a prática do turismo de aventura cresce a cada ano. Em seu estudo “Projeto Paraná Aventura”, a especialista cita uma pesquisa realizada pela consultoria norte-americana Allied Market Research (AMR) e publicada pelo site Panrotas, que ressalta que o segmento de turismo de aventura deverá registrar um salto de cerca de 200% nos negócios ao redor do mundo até 2023. Ainda segundo a pesquisa, com receitas analisadas em R$ 1,4 bilhão em 2016, o setor pode atingir a marca de R$ 4,2 bilhões em cinco anos. O estudo destaca também a ampliação de vendas nos produtos turísticos de aventura leve, onde se enquadram como atividades de baixo risco.

Normalização

Conforme o setor foi crescendo e sobretudo para mitigar a ocorrência de acidentes, muitas normas foram criadas para garantir a segurança e para mapear os riscos da atividade. Numa linha do tempo criada pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA), e citada pela especialista Dartilene de Souza e Silva, é possível referenciar os marcos que seguem abaixo: 

  • 1975: surgiu a prestação dos primeiros serviços do setor, ainda informais. 

  • Década de 90: foi marcada pela realização da ECO-92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Com o aumento dos incidentes, as empresas começaram a se formalizar. Outro importante fato foi a criação do Ministério de Turismo (MTur), que criou as normas para o setor. 

  • 2006: as normas começaram a ser aprimoradas. Iniciou-se o Programa de Qualificação e Certificação em Turismo de Aventura, com apoio das entidades junto ao Sebrae.

  • 2008: começou a ser feita a qualificação e certificação das empresas para atuar no setor, com apoio do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e do Inmetro.

  • 2009: a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) começou a liderar o processo de normalização de segurança, junto com o Reino Unido. 

  • 2014: houve a criação de três Normas Técnicas Internacionais (ISO), em relação à gestão da segurança, gestão da sustentabilidade e informações a participantes. Essas são as normas que norteiam até hoje a atividade.

Brasil em evidência

Nesse cenário de crescimento, muitos são motivos que contribuem para que o Brasil esteja em evidência. O país apresenta potencial para essa modalidade. Confira números divulgados pelo Ministério do Turismo (MTur) e pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta):

  • 62% do território nacional possui vegetação nativa, o que é um diferencial para atividades como trilhas, escaladas e arvorismo, por exemplo.

  • Temos a maior biodiversidade do mundo, representando mais de 20% do total do mundo.

  • São mais de 7,4 mil quilômetros de extensão litorânea, o que contribui para a prática de atividades como surf, canoagem, entre outros.

  • Temos mais de 3 mil empresas que oferecem serviços nesse setor.

  • O Brasil ocupa o 3º lugar entre os países que possuem o maior número de adeptos no turismo de aventura.

Paraná

Nosso estado é um dos que mais aproveita as oportunidades para o turismo de aventura. Dartilene, lembra que “o Paraná possui uma natureza privilegiada para a prática de atividades de turismo, já que tem serra, mar, rios, cânions”. Por isso, cada vez mais empresas comercializam produtos de aventura.

Desafios para o empreendedor

Apesar de ser um setor em crescimento, ainda encontramos muitos gargalos - que devem ser o ponto de atenção dos empreendedores. O primeiro deles é em relação à segurança: as empresas, ao iniciarem este tipo de atividade, devem estar cientes de que estão assumindo responsabilidades. Isso significa que elas precisam saber dos riscos que a atividade oferecida possui - por isso, é essencial mapear os riscos dos serviços da sua empresa.

Segundo Dartilene de Souza e Silva, vale lembrar que acidentes com clientes, além do sofrimento à família, assustam outros visitantes do destino, o que consequentemente prejudica o fluxo de turistas no local. Com isso, toda a atividade fica comprometida. Além de se certificar dos riscos, a empresa deve estar de acordo com as normas da ABNT. Fornecer serviços de turismo de aventura pautados na lei garante credibilidade e bom desempenho no mercado.

Outro importante ponto é o compromisso socioambiental. Os turistas estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente, por isso as empresas também devem estar. As opções de roteiros que respeitam o meio ambiente estão em alta, e manter e preservar é um dos deveres dos empreendedores.

Tendências

Muitas são as tendências para este setor. Entre elas, está a de que cada vez mais estrangeiros venham ao país, visando desfrutar da biodiversidade existente. Por isso, ter uma equipe preparada para atender clientes que falam outros idiomas é uma oportunidade.

Outra importante tendência do setor são os roteiros personalizados. Isso acontece porque o cliente busca, cada vez mais, experiências de acordo com suas preferências. Elaborar algo criativo e atrativo pode ser um bom caminho! 

E não esqueça da tecnologia: utilize-a para melhorar o relacionamento com o turista. Lembre-se que a jornada dele começa bem antes da atividade em si. Soluções interativas e informações na palma da mão podem fazer toda a diferença, facilitando a experiência do cliente. 

Por isso, apesar dos desafios, o setor ainda possui grandes oportunidades! Aproveite, invista em novidades e boa sorte!

 

Comunidade Sebrae
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