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HISTÓRIA DE ARTESÃ

HISTÓRIA DE ARTESÃ

Sou Vera Alice Florentino, casada, mãe de duas filhas de 30 e 26 anos e avó de um neto de seis anos e essa é minha história.

Estou aposentada desde 2017, depois de 34 anos de trabalho administrativo. Neste ano comecei me dedicar ao artesanato.

Para falar da minha história preciso falar de quem me inspirou, meu pai.

João Florentino, nascido em São Paulo numa colônia de trabalhadores, foi pra roça aos cinco anos, calçou seu primeiro sapato aos 18 anos, onde começou a estudar e foi até a 4ª série.

Ele construiu a casa para morar quando casou, as outras duas onde morou até sua partida, ainda construiu muitas outras.

Veio pra Maringá em 1959, trabalhou com caminhão até se aposentar por invalidez, por um problema de visão, mais para complementar a renda trabalhou de carpinteiro, pedreiro, eletricista e encanador. Como aprendeu tudo isso? Muita vontade e criatividade.

Desde pequena vejo meu pai fazendo coisas, no tempo de escola nas aulas de artes era ele quem me ajudava nas criações.

Ele sempre nos deu o necessário, mais na adolescência sempre queremos mais, então partir para criatividade.

Apendi a bordar com minha mãe e a fazer crochê com uma vizinha muito querida, meu pai queria muito que minha mãe aprendesse a costurar, ela aprendeu para o gasto, e eu já fazia as roupinhas de bonecas.

Não gostava de fazer toalhinhas de crochê para mesa que era mais comum. Fiz um biquíni, lenço de cabelo, blusa, detalhes em calças jeans, bolsas.

Antes de casar fiz um curso de bonecas e tentei aprender costurar roupas, as roupas não consegui e as bonecas não sabia vender, fazia só para dar.

Com o casamento, trabalho e filhos as prioridades mudaram.

Mais minha casa já utilizava moveis reciclados, tudo que idealizava meu pai realizava. As festas de aniversários eram feitas por mim, desde salgados, doces e decoração.

Quando meu pai se foi, fiquei perdida, e agora em quem confiar para realizar aquilo eu queria, foi difícil, mais na maioria das vezes eu mesmo quem faço, trocar torneira, arrumar um piso, instalar coisas, pintar casa e muito mais.

Dois anos antes de me aposentar precisei pensar em algo que pudesse fazer depois para não me sentir excluída, então fiz um curso de jardinagem no parque do Japão e me apaixonei pelas suculentas.

Depois para complementar fiz um curso básico em cerâmica para casar as plantas com os vasos.

Neste curso a professora fazia parte de uma cooperativa e que essa cooperativa iria participar de uma feira que iria ser criada em Maringá.

Terminei o curso e já estava como cooperada da MACUCO, participando da primeira feira de artesanato no parque do Ingá.

Iniciei com plantas, no caso as suculentas, mais deixei a cerâmica de lado, porque via que poderia plantar em lugares diversos e que não precisaria criar e sim reaproveitar muita coisa, quase virei acumuladora.

Foquei no reaproveitamento de vários materiais que via pela frente e fui fazendo desde vaso de rolha para geladeira a vaso de cachimbo de macaco, (a casca da semente do jequitibá).

Mas tinha as madeiras envelhecidas, as chaves usadas. Enfim tudo que via sabia que poderia ser feito alguma coisa.

Fiz várias oficinas de suculentas, ensinado o cultivo, cuidado e a reciclagem.

Até 2018 tudo corria bem, até que a coordenadora da feira disse que não podia ter plantas na feira de artesanato, teria que ser em feira específica.

Então parei para pensar o que poderia fazer, as complicações familiares também vieram junto.

No final de 2019 combinei que voltaria na cooperativa com trabalhos manuais, crochê, chaves, madeira e o que pudesse fazer que ainda não tinha na feira.

Montei também um projeto com a causa que apoio, LGBTQIA+, na Casa de Missão Amor Gratuito de Sarandi. Mais a pandemia veio e deu mais um tempo para pensar o que fazer.

Neste ano iniciei o curso de Técnico em Vestuário, primeiramente presencial agora online e acompanhando tudo que é interessante na área de artesanato e em tempos de pandemia.

Quando paro para pensar se sou artesã, penso que minha vida toda foi envolta ao artesanato.

Tenho um problema, quero fazer tudo e acabo por não fazer quase nada, não consigo focar em uma única coisa, quando penso em uma já vem outra e outra ideia, amo fazer, inventar e reciclar, não me vejo fazendo outra coisa.

Mantenho uma página no Instaram para oportunidades e contatos. @veraflormga

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