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Projeções (e previsões) para 2021 (e/ou quem sabe 2022)

Projeções (e previsões) para 2021 (e/ou quem sabe 2022)

Meus 25 anos de carreira e este longo e louco ano de aprendizado me apoiam nas considerações a serem feitas abaixo.

Já vale ressaltar que são realmente projeções baseadas em conhecimentos pessoais, conversas com dezenas de profissionais da área e leitura de muitas horas de materiais sobre os assuntos abordados e como diz a Band News: “Em 01 segundo tudo pode mudar”.

O ano de 2020 foi um ano ruim e ponto. Não podemos vangloriar um ano que trouxe um fator externo que matou mais de 200 mil pessoas só no Brasil e acabou com a economia mundial. Mas não quero e nem vou discutir sobre isso.

Porém, como em todos os momentos ruins e de dificuldades, temos que aprender e tirar alguma coisa positiva, usando esses fatores para crescermos de alguma forma.

Assim, posso dizer que 2020 foi, para mim, um ano de absurdo aprendizado. Pude estudar muito, ler, assistir e participar de eventos, conhecer pessoas (mesmo que virtualmente). Aproveitei o online para buscar acesso a pessoas que eu não teria normalmente e na maioria dos casos consegui.

Descobri que as pessoas estão dispostas a ajudar e compartilhar informações, você já tentou entrar em contato com aquele líder que você admira em seu segmento? Tente, pode dar certo.

Consegui mentorias com pessoas incríveis que eu não teria acesso normalmente ou pelo menos nunca tinha imaginado em chamar para uma conversa.

Participei de dezenas de lives, eventos online, três processos de aceleração de startups, grupos de estudo e desenvolvimento de projetos, dois hackathons, ou seja, aproveitei o que estava disponível a todos de forma semelhante e busquei o que me interessava para o desenvolvimento pessoal.

O importante é estar aberto ao novo e ao conhecimento, não importa a forma que ele chegue até você.

Falando tudo isso para dizer que esse ano me fez refletir muito e agora neste momento de virada de ano, virada de ciclo e planejamento de um novo ano também tenho as minhas projeções, embora na maior parte delas tenha que ser previsões, pois ainda será um ano de muitas incertezas.

Entendo que tenho condições de compartilhar alguns de meus pontos de vista em relação ao ano de 2021 sobre assuntos diretamente ligados ao meu negócio e segmento de atuação, são eles:

1. Muito mais busca por Coworkings e outros espaços compartilhados e foco menor em grandes lajes corporativas ou grandes prédios próprios de escritórios.

Diversas empresas estão entregando os seus prédios ou desistindo daquela ampliação e/ou reforma para apostar em espaços compartilhados, com isso os próprios espaços de Coworkings que já eram uma grande aposta dos últimos anos e que tiveram um ano horrível também, por terem justamente o compartilhamento de pessoas que não se conhecem como premissa, agora estão apostando em remodelação de seus espaços, em mais áreas abertas e mais espaços de reuniões para poderem atender a demandas de grandes empresas atrás de seus espaços.

Tivemos no próprio segmento da Hotelaria o exemplo da Accor que saiu de sua sede principal para adotar Centros de espaços compartilhados. Isso fará (e está fazendo) com que a Hotelaria busque adaptações, como algumas unidades já fizeram, de oferecer quartos para trabalho e/ou principalmente a adaptação e oferta de seus espaços comuns para que os hóspedes e comunidade do entorno tenha essa opção para o trabalho, aproveitando as estruturas já existentes das unidades e trazendo mais pessoas para as suas áreas comuns. Essa tendência ou aposta está diretamente ligada ao próximo tema: Home Office.

2. Trabalhar de casa ou de onde quiser, sempre foi um grande sonho de uma boa parcela da população, mas isso parecia muito distante, ou porque as empresas não queriam fazer, ou porque achavam que não era possível, ou ainda porque entendiam que a sua atividade não se adaptava a esta forma de trabalho, mas o Home Office caiu no gosto popular, tem quem ame e tem quem tenha ódio mortal, mas não pode ser mais ignorado e uma coisa é realidade, ele veio para ficar, pelo menos no curto e médio prazo.

Talvez não da forma como foi tratado neste ano, de maneira emergencial e com 100% dos funcionários o tempo todo em casa, mas em algum formato híbrido, com alguns dias trabalhando na empresa e outros dias com trabalho flexível que pode ser feito de qualquer lugar, por isso nem devemos chamar em definitivo de Home Office, mas alguma coisa como “Anywhere Office”, entrando nessa, inclusive os Coworkings e os espaços e áreas comuns dos hotéis conforme falamos anteriormente e mais uma vez temos uma ligação com o próximo assunto que falo que são as viagens de lazer mais frequentes.

3. Mais viagens de lazer de curta duração e para destinos mais próximos, isso é fato e já vem acontecendo de forma acelerada e não deve diminuir a tendência no curto prazo, pelo contrário, cada vez mais com a recuperação da economia, recuperação do poder de compra e flexibilização das condições de segurança da saúde, a tendência é de crescimento real e acelerado.

É só vermos as ocupações dos destinos menos tradicionais de lazer e próximos a grandes centros, ou mesmo destinos consolidados, mas que tem aquele ar “interiorano”, hotéis de lazer, resorts e locais de contato com a natureza, foram os primeiros a ter alguma normalidade no movimento de retomada do turismo, as pessoas estão e continuarão viajando mais com a família para destinos próximos, aproveitando mais finais de semana e feriados, irão de aproveitar do Home Office, trabalho remoto e jornada flexível que está sendo adotada por um grande número de empresas e também por escolas e universidades, para poderem ir para destinos de lazer com a família inclusive em dias “normais” de trabalho.

Esse movimento que antes era impensável (pelo menos para os mortais comuns) irá se tornar mais frequente, iremos ver pessoas na piscina da pousada discutindo reuniões de trabalho ou no lobby do hotel fazendo uma planilha para enviar até o final do dia ou até uma reunião no lobby bar enquanto aguarda uma caipirinha.

Segundo pesquisa da Cushaman & Wakefield publicada na revista Exame em 29/05/20, até 74% das empresas pensam em adotar o Home Office permanente para toda ou parte da jornada do funcionário e 85% dos executivos entendem como forma mais produtiva de trabalho. Empresas que tinha planos de médio e longo prazo para mudarem para este formato, tiveram (e conseguiram) que se adaptar em poucas semanas e desta forma todos viram que era possível. Essa tendência também pode nos levar ao assunto seguinte que é sobre os aluguéis de casas de temporada.

4. Já é de grande notoriedade o aumento da busca de casas de aluguel, no Google as pesquisas subiram mais de 650% (até setembro/20), no Airbnb as reservas, após a queda inicial de março e abril, subiram mais de 150% em relação a números de 2019 e principalmente em destinos até 300 km do destino de origem do reservante.

O próprio Airbnb fez abertura de capital e teve o seu valuation estimado em mais de U$ 30bi !!!. A Trivago, que lembramos dos comerciais “chicletes” e repetitivos de “Hotel? Trivago!” agora tem casas de aluguel em sua publicidade, apresentando esta opção da forma mais natural possível.

Números do Airbnb mostram que mais de 75% dos anfitriões na realidade são profissionalizados e não mais donos de casas e quartos que querem ganhar um dinheiro extra, o segmento se consolidou em 2020 e vem contudo em 2021, mas o próprio Airbnb declara que os maiores concorrentes deles não são as redes hoteleiras e sim as OTA’s, isso mesmo, eles se colocam como uma plataforma de venda, venda de espaços de hospedagem, venda de experiências e em muito em breve veremos eles conquistando espaço na venda de espaços em hotéis e redes hoteleiras.

5. Viagens menos frequentes, porém com um pouco mais de permanência nos destinos serão cada vez mais comuns também, em parte porque os executivos irão viajar menos, porém irão aproveitar as viagens para melhorar os relacionamentos, coisa que entenderam muito importante neste ano e que tem sido muito demandada por filiais das empresas, irão aproveitar para conhecer mais gente no local, sejam os próprios funcionários, fornecedores, clientes e concorrentes e até, muito provavelmente, unir com turismo de lazer.

Como falado anteriormente, como terão mais flexibilidade, poderão estender um ou mais dias para conhecer os locais, cidades vizinhas e principalmente aproveitar viagens com a família, sim isso já era feito, mas de forma um pouco velada ou somente em altos escalões das empresas, agora isso tomará uma presença mais destacada e deve ser inclusive incentivado por algumas empresas, caberá aos departamentos de vendas e RM das redes entender e analisar este movimento e oferecer condições atrativas para este novo nicho.

Acredito que teremos um volume reduzido de viagens de bate e volta só para falar com uma pessoa, discutir um só assunto ou participar de uma reunião, essas sim serão viagens que perderão força. As viagens de relacionamento terão mais importância, empresas irão repensar em mandar seus funcionários para pequenas viagens, desta forma os líderes terão mais tempo para rodar as filiais e também teremos mais eventos de confraternização de equipes, reuniões de grupos, gerando mais eventos de confraternização e encontros de setores ou filiais das empresas.

6. Mais relacionamentos e muito mais frequência nas conversas via zoom e outras plataformas, gerando contatos com desconhecidos, mais proximidade entre filiais, mais relacionamento de diretores com gerentes de filiais, etc.

Como falei, as empresas, por redução de custo ou por terem entendido que muitas viagens eram desnecessárias, irão aproveitar a facilidade com que todos tiveram acesso às ferramentas digitais, a popularização destas ferramentas e principalmente a evolução destas para diminuir algumas viagens.

Isso, acredito eu, facilitará a gestão de empresas maiores e reduzirá tempo desperdiçado dos executivos, principalmente agora que descobriram que uma reunião de 1 hora pode realmente durar esse tempo e que no minuto seguinte você já pode estar em outro assunto com outra pessoa.

7. Os hotéis (aqueles que ainda não tinham percebido) entenderam que dar mais atenção para os processos de limpeza é de extrema importância não somente para a higiene do local, mas a partir de agora é um diferencial de vendas e inclusive os hóspedes estão muito atentos aos detalhes, eles mesmo estão fazendo testes com as camareiras e funcionários do hotel, fiscalizando, cobrando e denunciando, quem não treinar suas equipes e fiscalizar de forma séria e constante irá ter prejuízos grandes financeiros e de imagem.

Pense nisso gestor, quando foi a última vez que fez um treinamento sério com a sua equipe, de verdade, sério mesmo? E como está a sua fiscalização de todos os processos e protocolos? Você tem certeza de que sua equipe está entregando o que você promete nas publicidades? Isso inclui uma possível e necessária redução da quantidade de quartos arrumados por cada camareira, mais exigência no cumprimento dos processos de limpeza, mais controle na lavagem dos enxovais (vamos lavar aquele cobertor com mais frequência?), mais atenção a pequenos itens que antes eram subestimados nas limpezas dos apartamentos, mais atenção nas áreas comuns e muito mais atenção com a saúde dos funcionários.

Sim, os funcionários passaram a ser parte importante dos processos e os hotéis começaram a entender que os espaços de trabalho tinham muita importância nisso também e isso nos leva ao próximo item: Benefícios variáveis e saúde mental dos funcionários.

8. Com a mudança na forma de trabalho, mais flexibilidade, mais locais de trabalho e com todos os entraves que a pandemia trouxe, os benefícios dos funcionários tiveram que se adaptar também, foram incluídos serviços de academia, alimentação saudável, entrega de alimentos, empréstimos, saúde financeira, cadeiras confortáveis, internet, etc.

Muitas empresas estão inclusive inserindo pacotes variáveis de benefícios, que podem ser escolhidos de acordo com a vontade e forma de vida de cada funcionário, e nessa mudança toda um item ficou muito em evidência por todos perceberem o quanto se tornou necessária: a atenção na saúde mental dos funcionários.

Antes um assunto escondido por baixo dos tapetes e muitas vezes até tabu dentro da empresa, agora está sendo falado abertamente e destacado em rodas de conversas e servindo de atrativo nas contratações. Nunca se preocupou tanto com a saúde mental dos trabalhadores. Com isso lembramos de um outro item: Funcionários têm vida fora da empresa.

9. A Hotelaria sempre foi muito tradicional, e continua sendo, mas em alguns casos tinha uma dose de absurdo neste item, o funcionário, principalmente em cargos de chefia estava (mesmo que de forma velada) disponível 24x7, não tinha problemas fora do trabalho e não trazia sua vida particular para o dia a dia das operações, o foco era somente o hóspede.

Alguns chefes e algumas empresas fizeram uma grande e extraordinária descoberta este ano, seus funcionários têm família, filhos e animais de estimação, isso mesmo, eles têm vida fora do ambiente de trabalho e não pensam em suas planilhas de excel dia e noite. Muitos disseram que foi o ano dos filhos e animais invadirem as reuniões, mas não foi isso.

Na realidade foi exatamente o contrário, foi a reunião e o ambiente de trabalho que foram introduzidos à força na rotina da casa e das crianças que tiveram que entender que em alguns momentos não podiam falar, ter fome e muito menos vontade de ir ao banheiro, para os menores foi muito mais difícil.

Gatos e cachorros tiveram que “entender” que latir e miar não era mais permitido em alguns horários, mas tiveram empresas que se adaptaram rapidamente e trouxeram esses temas para a discussão, criando ambientes saudáveis e trazendo a família para o convívio de todos, criando inclusive locais melhores para se trabalhar e facilitando o convívio entre todos.

Essas empresas irão manter os melhores talentos e atrair diversos outros, porque os bons talentos também entenderam que isso faz parte e deve ser visto como benefício, um bom local para trabalhar agora é importante.

10. Muitos hotéis independentes, redes menores e inclusive muitas grandes redes tiveram dificuldades muito grandes de passar por este ano, o que ocasionou o fechamento de centenas de hotéis, mas trouxe um movimento de maior concentração do mercado hoteleiro, fazendo um grande processo de fusões, aquisições e hotéis independentes ganhando bandeira. Esse movimento, aparentemente, ainda está longe de acabar, como as negociações de novos contratos ou finalizações de outros demoram para acontecer, iremos ouvir sobre esses assuntos nos próximos anos com muita frequência.

 

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