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Inovação como estratégia para o desenvolvimento sustentável praticado pelas empresas

Inovação como estratégia para o desenvolvimento sustentável praticado pelas empresas

Hoje, a inovação é vista como uma estratégia para o desenvolvimento sustentável praticado pelas empresas que visam a competitividade e um contínuo crescimento produtivo. Inovar é obter sucesso a partir de novas ideias. Esse conceito pode ser aplicado a diversas áreas, tanto a tecnologia (criação de novos produtos e processos) quanto a mercados e criação de novos métodos.

Um dos caminhos para o alcance da competitividade é a inovação de produtos, processos e serviços. Além disso, a empresa precisa demonstrar sua preocupação e interesse em preservar o meio ambiente, causando menos impactos nocivos ao bem-estar social.

No atual contexto da sociedade brasileira, há muitos debates sobre as novas formas de empresas se desenvolverem e sobreviverem no mercado cada vez mais competitivo e demandante de novas necessidades. A inovação e o processo de criação e adaptação tecnológica com esta finalidade nem sempre estão vinculados à redução de impactos e de agressões ao meio ambiente. A inovação é adotada como uma forma de diferenciação e competitividade pela atual dinâmica do mercado.

É por meio da inovação que se determina a realização de atividades técnicas de concepção, desenvolvimento e gestão, o que exige alto investimento de tempo e recursos. Para que a criação e melhoria de produtos/serviços siga o melhor caminho, é preciso que a empresa e seus recursos passem por transformações e adaptações indispensáveis. Além disso, a cultura organizacional deve ambicionar e estar em prol das novas práticas para que a empresa obtenha êxito.

A inovação é vista como um dos principais fatores de desenvolvimento econômico e social no mundo. As empresas que usam a inovação como estratégia de competitividade conseguem consolidar suas atividades no mercado interno e externo, gerando renda e emprego.

Inovação X Meio ambiente

Com a crescente preocupação com o meio ambiente, sua preservação e sua utilização de forma sustentável, as empresas passam a ser obrigadas pela legislação ambiental a reduzir seus níveis de poluição e adotar medidas que previnam práticas que degradem o meio ambiente, inviabilizam a economia e prejudiquem de forma irreversível a sociedade. Alguns caminhos têm se mostrado eficientes neste sentido, tais como investimentos em Sistemas de Gestão Ambiental, tecnologias limpas, energias renováveis e Programas de Educação Ambiental.

Sistemas de Gestão Ambiental (SGA)

Um Sistema de Gestão Ambiental constitui uma parte do sistema global de gestão de uma empresa que visa controlar os seus aspectos ambientais, por meio de uma abordagem estruturada e planejada juntamente com a gestão ambiental. Esse planejamento envolve toda a estrutura da empresa e todos que sejam influenciados pelas atividades, equipamentos, produtos e processos da organização que provocam ou podem vir a provocar danos ambientais, implementando processos de melhorias contínuas. Os processos de melhorias contínuas são dinâmicos e são avaliados periodicamente. A avaliação periódica consiste na análise dos objetivos e metas traçadas, no seu cumprimento e eficácia das medidas corretivas implementadas. Todo o processo feito pela gestão deve resultar na melhoria contínua do desempenho da empresa com o meio ambiente.

O Sistema de Gestão Ambiental deve considerar os seguintes aspectos:

• Definição da estrutura operacional;

• Estabelecimento das atividades de planejamento;

• Definição das responsabilidades;

• Definição dos recursos utilizados;

• Estabelecimento das práticas e procedimentos adotados;

• Asseguramento da identificação dos aspectos ambientais e determinação de sua significância;

• Demonstração do cumprimento dos requisitos legais subscritos pela empresa.

Portanto, o Sistema de Gestão Ambiental ajuda a empresa a definir, implementar, manter e melhorar as estratégias para identificar e resolver os impactos ambientais negativos e potencializar os impactos positivos, decorrentes das atividades da empresa.

Tecnologia limpa

Os sistemas de produção industriais tradicionais, que ainda se baseiam em tecnologias do século passado, utilizam muitos recursos naturais e uso de substâncias nocivas para seu funcionamento. Mas, frente às necessidades ambientais do século XXI, foram desenvolvidas as tecnologias limpas.

As tecnologias limpas são os processos produtivos mais modernos e eficientes, que utilizam o conceito do desenvolvimento sustentável como forma de produção de bens de consumo. As tecnologias limpas podem ser entendidas como novos processos industriais já existentes, mas alterados com o objetivo de reduzir o consumo de matéria-prima, o consumo energético e o impactos ambientais do ciclo produtivo.

O principal objetivo das tecnologias limpas é suprir as necessidades de produtos, bens e serviços de forma sustentável, ou seja, usufruir as matérias-primas renováveis, não utilizar produtos nocivos durante o processo produtivo e, principalmente, conservar a biodiversidade. Os sistemas de produção atuais são circulares, ou seja, reduzem a utilização dos recursos naturais. As produções que utilizam as tecnologias limpas têm como objetivo a reciclagem total dos resíduos gerados no processo produtivo.

A adoção de tecnologias limpas é fundamental na hora de traçar a estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável. E para a empresa deixar de utilizar metodologias antigas e passar a utilizar as tecnologias limpas, é preciso uma renovação de todo o ciclo produtivo, além do investimento na hora de implementar e adaptar esses processos. Algumas empresas ainda não possuem capacidade financeira para a implementação e adaptação dos processos que utilizam tecnologias limpas. Mas a adoção de pequenas atitudes já pode contribuir para o ambiente.

Fontes de Energias renováveis

Energia renovável é aquela produzida a partir dos recursos naturais reabastecidos pela natureza — a luz do sol (energia solar), o vento (energia eólica) e a água (energia hidráulica). As fontes renováveis contribuem para a redução da dependência dos combustíveis fósseis, recursos que são sujeitos a variáveis de instabilidade e que são finitos.

As fontes de energia renováveis contribuem para que haja uma diminuição no aquecimento global, fenômeno climático provocado pela retenção de calor acima do normal na superfície terrestre e nos oceanos.

Estudos apontam que em até 2050 a energia de fontes renováveis vai responder por quase metade da eletricidade mundial e, consequentemente, serão reduzidos os custos de fontes eólicas, solar e de armazenamento de energia por bateria. A redução do uso de combustíveis fósseis traz crescimento para os mercados de energia e incentivo para a batalha contra a mudança climática.

Com as metas estabelecidas em Paris, acredita-se que muitos países podem reduzir as emissões do setor de energia até 2030. Essa medida é para limitar o aumento da temperatura mundial.

Programa de Educação Ambiental

O Programa de Educação Ambiental visa à criação de um canal de comunicação contínuo entre o empreendedor e a sociedade, a fim de coibir ações predatórias sobre a fauna e a flora, lançamentos de resíduos em locais inadequados ou outras atividades nocivas ao meio ambiente.

O principal objetivo do Programa de Educação Ambiental é desenvolver ações educativas visando capacitar setores sociais, com ênfase nos afetados diretamente pela empresa, minimizando os impactos ambientais e sociais, buscando uma atuação efetiva na melhoria da qualidade ambiental e de vida da região.

O Programa de Educação Ambiental também deve proporcionar condições para produção, aquisição de conhecimentos, habilidades entre os trabalhadores e comunidades locais, bem como para o desenvolvimento de atitudes visando à participação individual e coletiva na gestão do uso dos recursos ambientais e na concepção das decisões que afetam a qualidade do meio ambiente e do meio sociocultural.

Sustentabilidade: fator-chave das oportunidades futuras

Como já falamos, o mundo dos negócios está cada vez mais desafiador e cheio de oportunidades para a inovação estratégica e a sustentabilidade é vista como um fator-chave destas oportunidades futuras.

As empresas que desejam se destacar em meio a complexidade dessas mudanças terão que se afastar de abordagens tradicionais. O novo quadro, que já é dominante em algumas das maiores organizações mundiais, é baseado na inovação estratégica para a sustentabilidade tida como uma solução. Isso significa encontrar novas maneiras de melhorar o desempenho econômico por meio da inovação nas três esferas: ambiental, social e econômica.

Esfera Ambiental

A inovação na esfera ambiental trata-se do conjunto de inovação em nível organizacional que visa desenvolver benefícios e soluções para o meio ambiente, buscando mudanças e novidades técnicas criativas na redução de impactos ambientais negativos. As empresas sustentáveis pretendem pesquisar e desenvolver produtos capazes de reverter as perdas e danos ambientais, desde o processo de produção. Essa inovação nos processos e produtos pretende ofertar produtos e serviços que não agridam a natureza. 

As empresas que inovam costumam correr grandes riscos, pois nem sempre os resultados são garantidos. Em geral, esses produtos necessitam de um longo período de tempo de pesquisa e de investimentos.

Numa visão geral, a inovação na esfera ambiental está interligada a proatividade da gestão ambiental empresarial, superando barreiras tecnológicas e mercadológicas na geração de produtos inovadores. Outro ponto fundamental é o planejamento dos objetivos comerciais e de comunicação, além do planejamento dos níveis operacionais nos ambientes interno e externo da empresa.

Hoje, sabemos que as questões relativas a essa temática incluem eficiência de recursos, redução de insumos, emissão de poluentes e outros processos inovadores, que almejam um maior desempenho ambiental. Nessa esfera, as empresas podem ser classificadas em reativas, preventivas e proativas.

As empresas reativas têm pouca implementação de políticas ambientais, limitando-se a exercer funções obrigatórias, que são aquelas estipuladas pela legislação. Já as empresas preventivas são um pouco mais “evoluídas” em relação às reativas, porém ainda não são consideradas estratégicas. Respeitam os interesses da organização, a demanda, o mercado e a legislação, mas as atividades internas e externas não são inter-relacionadas em prol da redução dos impactos ambientais. As empresas reativas apenas consideram a questão ambiental como conceito de um novo mercado e de novas demandas dos consumidores.

E as empresas proativas possuem uma concepção organizacional com influências internas e externas. Nesse modelo, as atividades são integradas de forma estratégica, buscando explorar novas oportunidades, aplicando-as em diferentes setores das empresas. Assim, as empresas proativas conquistam as maiores vantagens competitivas e têm o máximo comprometimento com o meio ambiente.

A inovação pode ser resultado do modelo proativo, que, por razões de eficiência no planejamento, operacionalização (integração interna e externa) e comunicação, consegue desenvolver inovação em produtos e serviços, processos e mercados. Há empresas que inovam primeiro e depois evoluem na questão da gestão ambiental proativa.

Dessa forma, a inovação e a gestão ambiental possuem relações bilaterais. A gestão ambiental pode, por exemplo, começar por meio das pressões governamentais, mas espera-se também eficiência dos processos internos e a melhoria da imagem na sociedade.

As inovações ambientais são implementações organizacionais, considerando as dimensões de produtos, processos e mercado, com diferentes graus de novidade, podendo ser apenas melhoria incremental, intensificando o desempenho de algo já existente ou radical, que promove algo completamente inédito, cujo principal objetivo é reduzir os impactos ambientais das empresas.

Case Leroy Merlin

Em 2008, a Leroy Merlin iniciou o projeto Horizonte, no qual 3000 colaboradores da época elegeram o desenvolvimento sustentável como um dos pilares estratégicos. E em 2009, a organização criou o Comitê de Desenvolvimento Sustentável, formado pelos colaboradores da empresa. A partir disso, esse Comitê iniciou ações efetivas em suas instalações no combate à degradação da natureza. Hoje, a organização conta com mais de 2400 itens ecossustentáveis identificados nas lojas com fichas e comunicação visual diferenciada, que ressalta as características de cada produto e sua contribuição ao meio ambiente.

Esfera social

A inovação social está associada a ações da iniciativa privada, organizações não governamentais e sem fins lucrativos, sociedade civil organizada e governo.

Inovação Social é uma nova solução para um problema social; uma solução mais efetiva, eficiente, sustentável em comparação às soluções já existentes e cujo valor gerado beneficia, prioritariamente, a sociedade como um todo e não apenas uma parcela da população. A inovação na esfera social busca trazer soluções mais justas e eficientes para os desafios socioambientais. Essa inovação visa solucionar problemas como desemprego, pobreza extrema, exclusão social, maus tratos a crianças e jovens, o isolamento dos idosos e vulnerabilidade de territórios. A inovação social também atua em esferas como segurança nacional, as alterações climáticas ou a gestão das cidades.

Enfim, a inovação social parte da premissa de que é preciso compreender as necessidades da sociedade para criar soluções inovadoras, ou seja, produtos, ideias e ações que afetam positivamente setores como educação, saúde, lazer, economia e tantos outros.

Case Aoka 

A Aoka foi a primeira operadora de turismo sustentável do Brasil. A experiência com as viagens gerou novas oportunidade de mercado e hoje a empresa desenha workshops e experiências de imersão para organizações, visando a estimulação dos colaboradores com comunidades locais e, assim, promover o desenvolvimento das pessoas e a criação de valor compartilhado.

A empresa oferece propostas inovadoras de viagens, transformando roteiros em inesquecíveis experiências de vida. Nesse momento de transição econômica para um modelo de rede, mais colaborativo, as empresas precisam evoluir seus modelos de negócios tradicionais para modelos mais modernos. Por meio de uma abordagem sistêmica, a empresa trabalha lado a lado com organizações e sociedade no desenvolvimento de soluções de valor compartilhado para os desafios modernos.

Esfera econômica 

Há muito tempo vem se percebendo que só cresce quem inova. Porém, só inova quem investe. Os empresários podem e devem inovar. Com o uso de ferramentas de tecnologia, por exemplo, podem melhorar os processos, os resultados e os produtos, tornando o atendimento mais rápido e reduzindo o tempo de entrega. Todas essas ações geram o aumento da competitividade entre as empresas.

Inovar é fundamental, porém micro e pequenos empresários têm mais dificuldade por questões financeiras e técnicas. Alguns podem melhorar os processos operacionais, administrativos ou de produção fazendo pequenas mudanças ou alguns investimentos, mas não o fazem por desconhecer tais técnicas e/ou tecnologias. Além disso, muitos não possuem recursos disponíveis para tal empreendimento.

Por exemplo, alguns empresários conseguem assimilar inovações, quando são franqueados, pois as franquias costumam disseminar melhor as inovações, já que exigem padrões de seus franqueados.

Deveria existir um maior incentivo à inovação por parte do Estado para os micro, pequenos e médios empresários. O investimento em tecnologia, pesquisa e ciência também é essencial para o desenvolvimento econômico, mas isso é algo que tem pouco espaço no Brasil.

A inovação pode solucionar problemas econômicos em longo prazo. Portanto, o comodismo deve ser deixado de lado. É preciso quebrar a resistência às mudanças e motivar os colaboradores a mudar e trabalhar essa questão constantemente.

Na verdade, não existe uma inovação específica e pontual a ser feita na empresa; trata-se antes de um conjunto. Uma estratégia que precisa ser trabalhada com muita cautela é a inovação do marketing, ou seja, inovar nas mensagens e formas de se chegar ao cliente. A empresa será mais eficiente economicamente caso se destaque de seus concorrentes, oferecer um produto ou serviço melhor e com menor custo. Já no ponto de vista da inovação tecnológica, é preciso que haja uma captação de recursos externos, pois ela é mais cara e, às vezes, não há uma produção de conhecimento sobre a área pretendida naquela localidade, sendo necessário buscar auxílio em outros países.

Case Uber

O Uber é um exemplo de economia compartilhada que deu certo. A empresa ofereceu de forma simples a solução que muitos governos não conseguiram encontrar para o problema da mobilidade urbana. A empresa conquistou e fidelizou vários clientes.

Mesmo nos dias de hoje, o Uber causa polêmica nas cidades em que chega. Acostumado a lidar com obstáculos, a empresa está sempre preparada com promoções que chamam a atenção, o preço acessível é a chave para que o passageiro troque o táxi tradicional por ele.

Como vimos, inovar é explorar e obter sucesso a partir de novas ideias. A inovação pode ser aplicada a diversas áreas, tanto à tecnológica, que se refere à criação de novos produtos e processos, quanto a mercados, modelos de negócios e criação de novos métodos. Em um mundo confrontado por problemas socioambientais, aliar inovação à sustentabilidade se torna cada vez mais necessário, pois é uma forma de resolver as questões de preservação ambiental e de alcançar novas oportunidades de mercado.

Ao mesmo tempo que os modos de produção empregados para construir avanços tecnológicos trazem benefícios cada vez maiores para nossa sociedade, como melhoria na saúde, nos transportes e aumento da expectativa de vida, eles também podem causar impactos negativos ao meio ambiente, que se torna incapaz de produzir os recursos naturais explorados na mesma velocidade da sua extração. 

O reconhecimento desses excessos trouxe novos valores à sociedade, que, cada vez mais, reivindica ao ambiente organizacional a união de inovação e sustentabilidade.

Dessa forma, cuidar do meio ambiente se torna cada vez mais importante, uma vez que as demandas por sustentabilidade afetam cada vez mais as relações socioeconômicas.

Comunidade Sebrae
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