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O LÍDER CRIADOR DE PROPÓSITO

O LÍDER CRIADOR DE PROPÓSITO

Falar de propósito virou moda. E como toda moda, virou campo fértil pra bobagens e desinformação. Não é por acaso que, hoje, se fala tanto de propósito. O ser humano precisa de uma conexão com algo maior do que si mesmo, e demoramos, até tempo demais para perceber que a mais poderosa forma de potencializar o desempenho das pessoas à nossa volta, é dar a elas uma razão para se importar.

O problema, é que a enxurrada de curiosos que fizeram um curso de final de semana ou assistiram a um vídeo do Tony Robbins, e depois saem por aí falando de propósito como algo excêntrico que beira o esoterismo, tem jogado uma das mais importantes ferramentas do líder exponencial na vala comum.

Que tal falarmos sobre o papel do líder criador de propósito de maneira mais tangível e concreta? Primeiro, entendamos o que é propósito. Sim, é verdade que propósito tem a ver com razão pela qual saímos da cama, todos os dias, para fazer o que deve ser feito. Mas isso tem muito pouco a ver com as coisas “grandiosas” que muitos coaches de final de semana apregoam nos seus vídeos bonitinhos de mídias sociais.

O papel do líder, muito mais do que “mudar o mundo”, “encontrar a salvação para o planeta” ou “preservar as borboletas rosas do Himalaia (eu não tenho a menor ideia se existem borboletas rosas no Himalaia...)”, é mostrar ao seu time e à empresa que ele lidera, que sim, é possível encontrar propósito em quase tudo que fazemos, se observarmos o impacto das nossas ações em quem as recebe.

Pense numa figura folclórica do mundo corporativo: a senhora do cafezinho. Ela pode passar seus dias servindo café, se percebendo ocupando a pior posição da hierarquia, recebendo o menor salário, e enxergando seu papel como fútil, descartável e passível de ser ocupado por um macaco bem treinado. Ou, ao contrário, ela pode ter a percepção de que, o seu cafezinho, muda, pra melhor, o dia das pessoas, porque a cada vez que ela serve um café, recebe em troca o sorriso de alguém agradecido por ter tido a oportunidade de desfrutar de uma breve pausa no stress do seu dia, proporcionado por aquele café.

Imagine agora uma vendedora de joias. Ela pode perceber seu papel como passar o dia atrás de um balcão, trocando pedras e metal por papel (dinheiro) ou bits (carões de crédito). Mas e se analisarmos de maneira mais ampla? Porque é que uma mulher compra uma joia? Existem várias razões – sentir-se mais bonita, dar-se um presente, sentir-se mais poderosa -, mas no fundo, ela o faz por uma razão: se sentir mais feliz. E porque um homem compra uma joia? Exatamente pela mesma razão: fazer a mulher que ele ama feliz. Portanto, uma vendedora de joias, tem todos os dias, a possibilidade concreta e tangível, de fazer alguém feliz a partir do seu trabalho.

Isso muda tudo! Quem você acha que desempenha melhor o seu papel? A senhora do cafezinho que se acha dispensável ou a que entrega o melhor momento do dia das pessoas? A vendedora de joias que troca pedra e metal por papel ou a que sai da cama para levar felicidade a alguém?

Aí está a essência do propósito! Criar formas de envolver as pessoas, no lado nobre da sua atividade. Isso faz as pessoas perceberem que, muito mais do que apenas trocar tempo por dinheiro (destino de quem não encontra propósito no que faz), elas têm uma razão mais nobre e autentica para desempenhar seu trabalho.

O propósito é a essência da criação de times imbatíveis e empresas extraordinárias. E criar e compartilhar propósito é um papel indelegável desse novo líder exponencial, que compreende a amplitude do seu papel e percebe que, qualquer que seja o negócio em que ele atua, todo e qualquer resultado virá através das pessoas. Pessoas com propósito.

Comunidade Sebrae
Allan Costa
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Palestrante, consultor, autor de 60 Dias em Harvard, co-fundador da Curitiba Angels, co-fundador do AAA Inovação

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