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O LÍDER DE MENTALIDADE NÃO-CONVENCIONAL

O LÍDER DE MENTALIDADE NÃO-CONVENCIONAL

Por mais de 300 anos, entre 1500 e 1800, a indústria de especiarias foi a mais poderosa e representativa do mundo. Um navio de temperos, trazido das Índias para a Europa, chegava a valer três vezes o que valia um navio carregado com ouro.

Até que, no início dos anos 1800, um empreendedor nascido em Boston e batizado como Frank Tudor, mudaria para sempre a história. Ao analisar a predominância da indústria de temperos por mais de três séculos, Tudor percebeu o que ninguém enxergou por todo esse tempo. Em um mundo sem refrigeração, onde a comida apodrecia rapidamente, a predominância do comércio de especiarias não ocorria apenas porque temperos, potencialmente, melhoravam o sabor dos alimentos. A razão mais essencial, era que os temperos efetivamente melhoravam o sabor dos alimentos, mas mais especialmente daqueles que estavam prestes a estragar, aumentando sua vida útil.

Tudor lançou-se em uma busca frenética por criar uma tecnologia que preservasse os alimentos. Criou galpões gigantescos, isolados termicamente, que preservavam o gelo colhido em blocos nos lagos congelados de Massachussets. Migrou essa tecnologia para navios, imaginando transportar gelo para os lugares quentes do planeta onde ele seria mais necessário. Faliu, pelo fracasso dos primeiros protótipos que desenvolveu. Ficou milionário quando um de seus navios chegou ao destino com 30% do gelo embarcado sem derreter. E, com isso, inaugurou a era da indústria do gelo, causando disrupção na poderosa indústria das especiarias.

Essa história ilustra dois pontos importantes. O primeiro, é que o desafio dos líderes, de buscar antecipar e causar disrupções em suas indústrias, que temos observado em ritmo acelerado com as empresas de tecnologia, sempre existiu. Desde 1800 (no mínimo), indústrias nascem e morrem, novas tecnologias – como preservar gelo – criam setores inteiros que não existiam, e, portanto, lidar com inovações disruptivas não é uma exclusividade dos líderes atuais.

E a segunda, e a mais importante, é a necessidade que líderes de tempos exponenciais têm de, mais do que nunca, exercer o que eu chamo de pensamento não-convencional.

Por anos a fio, fomos treinados para liderar a partir de uma ideia de que é nosso papel buscar formas de maximizar recursos, reduzir custos, cuidar para que as pessoas possam dar o seu melhor nas suas atividades e, se fizermos bem nosso trabalho, a consequência será o lucro. Esse modelo não serve mais. Liderar, cada vez mais, exige fugir desse modelo orientado apenas à expansão do nosso negócio, no nosso segmento, e demanda uma forma de pensar completamente não-convencional, em que o foco do processo de criação de riqueza, frequentemente, está lá fora. Reside na capacidade de observar o ambiente e as transformações no seu entorno e em encontrar formas de aproveitar ao máximo cada uma das oportunidades identificadas.

Disrupções não são novidade. O que é novo, é a velocidade com que elas acontecem. Assim, da mesma forma que o mercado se modifica, a essência do papel do líder também se transforma. Enxergar o que está à nossa volta, e as particularidades do nosso negócio, pode nos tornar líderes eficazes. Olhar o mundo com visão ampla e não-convencional, em busca de conexões e oportunidades muito mais amplas do que as que ora exploramos, pode nos tornar líderes visionários capazes de gera riqueza de forma exponencial e de construir um legado duradouro.

Comunidade Sebrae
Allan Costa
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Palestrante, consultor, autor de 60 Dias em Harvard, co-fundador da Curitiba Angels, co-fundador do AAA Inovação

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