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O LÍDER IMPERFEITO

O LÍDER IMPERFEITO

Os tempos pós-digitais – na definição de Walter Longo – em que vivemos, trazem pressões sobre humanas ao nosso cotidiano. São tempos de hiper-estímulo, hiper-conectividade e de exacerbada competitividade por espaço, por resultados, por mercado. Essa é uma realidade inexorável dos nossos tempos.

Para piorar, a mídia, em geral, vende constantemente uma imagem de líderes perfeitos. Homens e mulheres retratados na revista ou na TV, como Deuses e Deusas de competência infinita, capazes dar conta das pressões do trabalho, de gerar resultados fabulosos, de se manterem equilibrados com as modernas práticas de mindfulness, de terem uma família digna de comercial de margarina, com gente feliz e sorridente, de terem corpo escultural e saúde exemplar, resultado de horas de academia, de alimentação orgânica e de oito horas de sono por dia, e de se capacitarem sempre acima da média. Tudo ao mesmo tempo agora. 

A consequência disso, é uma multidão de profissionais convivendo cotidianamente com toneladas de culpa. Afinal, se “tanta” gente consegue, como é que eu não consigo?

A resposta é óbvia: não conseguimos porque isso não existe!

A vida é sobre escolhas. E tais escolhas determinam nosso caminho. É natural que, em determinados momentos da trajetória, a escolha recaia em priorizar o desenvolvimento da carreira. Perfeito! É hora de dar o gás, de ralar doze horas por dia, de focar no trabalho. Logo, todo o resto – família, filhos, amigos, academia – ficará em segundo plano.

Em outros momentos, a família será a prioridade. E aí, é hora da carreira desacelerar. Pode ser que, por alterações nos exames de rotina, a saúde se torne prioridade em outro momento. E aí, pode ser necessário dedicar menos tempo a outros aspectos.

A boa notícia é que não há nada de errado nisso. Ao contrário, é assim que a vida funciona. A maioria das pessoas se cobra e se remói em culpa quando a prioridade está de um lado e os demais aspectos da vida ficam momentaneamente desassistidos. Mas não tem que ser assim. Ninguém consegue ser perfeito em tudo o tempo todo. A sabedoria, não está em se cobrar perfeição permanente, mas em saber como equilibrar, com muito bom senso, as prioridades nos momentos em que elas se manifestam.

E o que nós, líderes, temos a ver com isso?

É nossa responsabilidade romper com essa cultura irresponsável, ajudando nossos liderados a entender esse processo e incentivando-os a procurar equilíbrio longe da perfeição e próximos do bom senso. Ninguém consegue ter uma vida produtiva, seja em que aspecto for, consumido por culpa e auto cobranças excessivas.

E aí, o primeiro passo nessa direção, é enxergarmos que nós mesmos, os chamados líderes, não temos nenhuma obrigação de sermos perfeitos. A fragilidade é revestida de força. E, ao assumirmos a realidade de sermos imperfeitos, estamos contribuindo de maneira decisiva para que nossas equipes se tornem mais íntegras, mais saudáveis e, consequentemente, mais capazes de feitos verdadeiramente grandiosos.

Comunidade Sebrae
Allan Costa
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Palestrante, consultor, autor de 60 Dias em Harvard, co-fundador da Curitiba Angels, co-fundador do AAA Inovação

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