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Trabalho: um lugar para amar ou suportar?

Trabalho: um lugar para amar ou suportar?

Muitas coisas viraram junto com a virada do século XX para o XXI. Uma das mais interessantes viradas se deu no papel do trabalho na vida das pessoas. À medida que o trabalho foi ocupando um espaço cada vez maior na vida de cada um de nós e exigindo que mais do que apenas 8h diárias fossem dedicadas para a construção de uma carreira, surgiu a necessidade de que algo maior do que a obrigação de ganhar a vida estivesse conectado ao nosso dia a dia. Muitas palavras novas surgiram no cotidiano da gestão de pessoas no ambiente corporativo, mas algumas como motivação, engajamento, paixão e propósito parecem estar na ordem do dia de todo negócio.

Simples entender por que esta nova demanda surgiu. As dinâmicas do trabalho mudaram muito. Poucos são os postos que requerem apenas comportamentos processuais e repetitivos. Até as linhas de produção industrial do século XXI pedem olhar atento, atitude e resiliência. Habilidades conhecidas como “soft” estão nas listas de todo processo de recrutamento, seleção e promoção. Mas como promover o desenvolvimento e a prática das ‘soft skills” sem uma base emocional de sustentação se é o sistema emocional que provê a energia e a força necessárias para a sustentação destas práticas diárias mesmo quando parece que o teto está caindo sobre nossas cabeças?

Os desafios a serem enfrentados nas organizações do século XXI não admitem que pessoas sem energia, garra e envolvimento alcancem resultados. Equipes de alta performance focadas em produtividade não se sustentam sem uma gestão emocional adequada. Mas a equação não é simples de resolver. De um lado temos teóricos da gestão organizacional falando sobre propósito e valor agregado na prática profissional. De outro lado, temos uma fala cada vez mais presente alertando para a dificuldade de envolvermo-nos emocionalmente com nosso cotidiano do trabalho dadas as dificuldades a serem enfrentadas. Os números que avaliam a saúde mental de funcionários de grandes organizações são alarmantes. Depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, síndrome do pânico, dependências a substâncias, compulsões alimentares e outras doenças secundárias como fibromialgia e doenças autoimunes estão entre os principais motivos de afastamentos de longa duração. E mesmo quando não geram afastamentos, estes quadros provocam importantes dificuldades para as lideranças enfrentarem.

Mas podemos avançar nesta discussão trazendo neurociência para a pauta. Quando trabalhamos os conhecimentos sobre a relação entre funcionamento cerebral e desenvolvimento humano mais os conhecimentos sobre o sistema emocional do cérebro e sua relação com a manifestação de “soft skills”, torna-se imperativo que essa discussão promova na organização a necessidade de que uma boa gestão da emocionalidade seja feita de forma profissional. Falas como “tem que aguentar” podem ser substituídas por “vamos transformar isso juntos”. Propostas baseadas em justiça, ética e comprometimento são sustentáculos fortes para a paixão. E é importante considerar que não podemos desqualificar as demandas individuais já que é exatamente o atendimento destas demandas que fomenta o surgimento de uma forma de paixão/amor pelo que fazemos naquela organização. Toda e qualquer experiência de valor emocional que pudermos gerar trará o combustível necessário para construir a paixão madura que pode ser vivida no trabalho.

Uma paixão que nasce da potência do negócio em resolver problemas, em produzir experiências de valor, em atender necessidades, em receber a diversidade e promover inclusão e ocupar um lugar de destaque na sociedade da qual fazemos parte. E alimentar esta paixão para que ela possa se transformar em amor é papel dos dois “players”: a empresa precisa se manter apaixonante e o funcionário precisa ter olhos para o que é preparado para ele. Sem se comportar como uma criança mimada pode ter maturidade para a construção de uma relação que seja eterna enquanto dure. Muito pode ser feito para que esta relação amadureça e floresça até que o funcionário apaixonado possa tornar-se o líder apaixonante que irá manter vivo o ciclo virtuoso de emocionalidade que manterá a organização viva em sua máxima potência sempre.

Quer saber o que a neurociência pode fazer pela paixão? Visite nosso site: www.ilumne.com.br

Comunidade Sebrae
Carla Tieppo
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Doutora em Neurociência e pioneira na aplicação da ciência do cérebro em palestras, cursos e consultorias para diferentes segmentos empresariais. Ministra aulas sobre o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com a mente e o comportamento.

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