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Gestão de Riscos & Pandemia: Alguns Ensinamentos

Gestão de Riscos & Pandemia: Alguns Ensinamentos

Hoje vamos falar sobre Gestão de riscos e os ensinamentos que podem ser extraídos deste período turbulento ocasionado pela pandemia do COVID-19.

As empresas enfrentam diariamente influências de fatores internos e externos ao seu ambiente. Estes fatores exercem influência direta no sistema organizacional e na visão holística da empresa. Impactam também, na rentabilidade e lucratividade da empresa interferindo significativamente no alcance das metas e objetivos. Em níveis mais elevados, esse caos regado de incertezas pode ter como consequência a falência empresarial. 

A este cenário de incertezas, somou-se no ano de 2020 a pandemia, agravando ainda mais a interferência de fatores externos na continuidade da empresa. Segundo IBGE (2020), até junho 2020, 4 em cada 10 empresas que fecharam as portas, foram em decorrência a fatores relacionados a pandemia.

As instabilidades foram sentidas de várias maneiras: financeiro-econômico, emocional e comportamental, mudança de modelo de compra e venda, alterações nos padrões de relacionamentos e comunicações, enfim...tantas mudanças... Os sentimentos ficaram misturados e conturbados. Cenários até então rotineiros passaram a expressar insegurança e medo.

As ameaças externas se intensificaram, fragilizando ainda mais os pontos fracos já existentes, e por vezes, fazendo emergir outros nunca antes observados. A gestão administrativa precisou ser remodelada de forma urgente, fazendo-se necessário revisitar conceitos e modelos. A impressão que se tem, é que de repente, fez-se necessário reconstruir tudo, desde preceitos básicos até planejamentos. Fez-se necessário remodelar estratégias. Repensar o todo…

Ocorre que, esse amadurecimento em identificar a necessidade da Gestão de Risco pode não surgir com facilidade para a maioria dos indivíduos e empresas. O diagnóstico realizado pela pesquisa IBGE (2020) citada anteriormente, evidencia a falta de uma visão e preparo às ameaças do ambiente externo, que se conectam também, aos principais fatores diagnosticados pelo Sebrae (2014) no fechamento de empresa nos primeiros anos (falta de gestão, planejamento e de comportamento empreendedor).

Para muitos, talvez para a grande maioria, o termo gestão pode remeter à burocracia, a perda de tempo com controle criterioso, cobrança, conferindo à gestão um significado complexo e com negatividade. Significar o termo gestão de forma não positiva, pode comprometer num todo a existência e a continuidade da empresa e a realização pessoal. E quando o termo gestão vem acompanhado do “risco”, o peso parece ficar ainda maior.

Dedicar o tempo escasso e corrido do presente para gerir riscos decorrentes de incertezas na realização de objetivos futuro, parece se constituir numa pauta um tanto difícil de administrar… A evidência deste fica notória no artigo “O tempo como aliado para uma vida equilibrada e produtiva”.

Realiza-se a gestão de risco no cotidiano conforme surgem os acontecimentos, as emergências mas não ocorre reflexão sobre o processo pensando em mitigar isso no futuro. Trabalha-se focado na solução, por vezes somente apagando incêndio, e pouco na prevenção. Gerir os riscos é trabalhar estrategicamente, de maneira preventiva aos desafios que podem surgir. 

Gestão de riscos, ou risk management, é o conjunto de práticas que visam a identificar incertezas e antecipar desafios nas organizações (SBCOACHING, 2019).

Para que isso seja percebido como necessário, precisa ocorrer um processo de mudanças comportamentais e de atitudes. Faz-se necessário desenvolver e praticar habilidades conectadas à inteligência financeira, comportamental e emocional, projetando um modelo mental criativo e inovador. Um mindset vencedor, conectado no aqui e agora mas que realiza projeções estratégicas e de maneira consciente para o futuro. Em convergência a essa abordagem, o artigo “Como posso inovar na condução de minha vida?”, contribui na construção de soluções viáveis.

Os principais desafios para a sua implementação efetiva estão na cultura e valores da organização (51%), a visão de que a gestão de riscos é um tema obrigatório e não estratégico (46%) e a falta de conhecimentos chave sobre sua importância e o valor que aporta (46%) (MARSH, 2018).

Esse processo de repensar o todo, traz a consciência a necessidade de realizar a gestão do aqui e agora e também dos desafios inerentes ao futuro. Conhecer o ambiente externo e suas ameaças se revelou primordial na redução de insegurança e medo. Projetar as estratégias de contingência de maneira clara e objetiva parece ter se constituído um ingrediente indispensável ao ambiente empresarial, mensurando aquilo que é conveniente, coerente e adequado.

Com base numa pesquisa exploratória realizada por Fernandes e Benetti (2014), em pequenas e micro empresas da região Sul do Brasil, compartilhamos agora, um conjunto de requisitos. O conjunto de requisitos proposto pelos autores, é composto por cinco tipos de risco: operacional, estratégico, financeiro, riscos na gestão do conhecimento e risco legal e de conformidade”. As etapas sugeridas, apresentam validação com alto nível de aprovação pelos empresários, conforme aplicabilidade realizada pelos autores.

Tendo como principais características a simplicidade e a objetividade, as etapas do conjunto de requisitos sugeridas são:

1ª -  Identificação do Risco: O empreendedor é convidado a refletir e identificar em cada um dos tipos de risco existentes nesta etapa, em qual situação a empresa pode apresentar a possibilidade de obter perda. Esta etapa utiliza como base os normativos AS/NZS 4360 (2004) e ISO 31000 (2010).

2ª - Avaliação do Risco: O empreendedor deve responder três requisitos chaves em cada uma das situações em que identificou a possibilidade de perda. De posse do número de requisitos que foram respondidos com “Sim” e com “Não” para cada uma das situações, deve avaliar os resultados se o risco que a empresa possui precisa ser tratado ou não. Esta etapa apresenta como base a norma AS/NZS 4360 (2004).

3ª - Tratamento do Risco: O empreendedor deve nesta etapa efetuar o tratamento do risco, o qual pode ser efetuado dentro de uma lista de orientações para evitar, diminuir ou controlar o risco. Esta, utilizou como base a norma AS/NZS 4360 (2004) e o COSO (2004).

O processo de gestão de risco busca identificar com base no diagnóstico de cada situação de risco do presente, a possibilidade/chances de isso ocorrer ou não no futuro. A resposta aos questionamentos serão os balizadores que identificam a probabilidade desse evento ocorrer ou não no futuro e a necessidade de uma tratativa.

No III Benchmark de Gestão de Riscos da América Latina (2018) descreve-se que, “40% das organizações na América Latina contam com um nível de maturidade médio em gestão de riscos, mas com um claro e determinado avanço na busca por resiliência organizacional. Brasil e México são os países mais avançados”.

Este estudo traz ainda a maturidade deste tema por setor, sendo que, as “Instituições Financeiras, Mineração e Energia são os que mais estão se beneficiando ao integrar a gestão de riscos em sua estratégia de negócios.” 

Evidencia-se dessa forma que, no cenário anterior à pandemia, as grandes corporações já se beneficiavam de ferramentas pró gestão de riscos. Esses, são comportamentos que diferenciam o empreendedor com mindset vencedor dos demais. E isso é imprescindível em cenários adversos como este que presenciamos.

Por acreditar nisso, entendemos que, o micro e pequeno empresário também podem usufruir dessa ferramenta e potencializar seus resultados. Um dos grandes aprendizados que julgamos ter ocorrido a partir da pandemia pode ser de que o sucesso no mundo dos negócios está em prever os riscos do ambiente interno e externo e, a partir deles, criar estratégias imediata para reduzir, eliminar as ameaças de nossas empresas. 

Seja proativo: antecipe-se ao caos criando soluções inteligentes, inéditas e eficazes a partir da gestão dos riscos.

Desfrute dos resultados de sua pró-atividade!!


Referências bibliográficas e artigos anteriores:

 

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