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A importância do Ownership nas empresas

A importância do Ownership nas empresas

Muitas vezes, para melhorar o desempenho de um negócio se recorre a novas técnicas, softwares revolucionários e consultores que sejam verdadeiros “gurus” em suas áreas e têm horas de trabalho com valores bem salgados. Atualizar e aprimorar o nível de conhecimento é sempre importante e necessário.

Mas, e se a solução já existir? E se o que ela precisa for basicamente uma “roupagem” nova? Um dos pilares de qualquer negócio ou setor, independentemente do porte da empresa e onde esteja, tem a ver com o grau de envolvimento das pessoas que nela trabalham e de quão responsáveis elas se sentem pelo seu sucesso. Uma preocupação digna de um proprietário.

E, se as empresas dispuserem de empregados que em seu dia a dia trabalhem como se o negócio pertencesse a eles? Poderíamos esperar maior engajamento, comprometimento, responsabilidade e, finalmente, resultados.

A isso, atualmente, se dá o nome de “Ownership”. E em nosso artigo explicaremos mais detalhadamente o que significa, como ela deve ser aplicada para que funcione e quais os benefícios que as empresas que o fazem podem ter.

O QUE É OWNERSHIP?

Em sua tradução literal, a palavra “Ownership” significa “propriedade”. Porém, no contexto corporativo ela representa um conceito mais elevado. Muitos dizem que se trata de uma filosofia. Dessa forma Ownership deve ser entendido como o “sentimento do dono”, ou seja, uma nova forma pela qual um profissional tem de enxergar o seu próprio trabalho.

Conectado a essa filosofia, o colaborador passa a enxergar o trabalho não apenas como uma atividade que seja responsável por proporcionar-lhe o provento financeiro, mas como um lugar de realização pessoal. Como tal, requer dele uma atenção, comprometimento, paixão e dedicação maiores, devido à sua importância para o sucesso do negócio. Sentimentos de um dono - de um proprietário.

A partir do momento em que esses valores passam a nortear as ações de um profissional no desempenho de suas funções no trabalho, ele passa a realizá-las estando consciente do impacto que elas terão no resultado final, também pela consciência de seu peso. Atuará, pois, dessa forma independentemente de sua posição na hierarquia da empresa ou de seu grau de responsabilidade.

DIFERENÇA ENTRE OWNERSHIP E ACCOUNTABILITY

Recentemente tornou-se também muito comum o uso de outro termo da língua inglesa, “Accountability” no mundo dos negócios e da administração pública. Quando Ownership passou a ser usado muitas pessoas ficaram confusas quanto a ambos serem sinônimos ou não.

A única semelhança que podemos atribuir às palavras é a questão da responsabilidade. Contudo no caso de Accountability estamos falando de responsabilidade ética, que se traduz em ações de prestações de contas realizadas, por exemplo, pelos departamentos de Contabilidade ou Controladoria na esfera privada ou Governança na esfera pública.

Sendo assim, fica claro que Accountability e Ownership são termos que transmitem ideias diferentes.

CARACTERÍSTICAS DOS EMPREGADOS COM “SENTIMENTO DE DONO”

É possível que se encontre funcionários que já possuam e/ou pratiquem o Ownership na empresa. Mas, independentemente de o fazerem ou não, são verificáveis as seguintes características e comportamentos:

  1. São proativos;
  2. São orientados para resultados;
  3. São responsivos;
  4. Estão sempre preocupados em atender aos clientes e devotam tempo a escutar com atenção a seus problemas;
  5. São bons comunicadores;
  6. São bons ouvintes;
  7. São fiéis;
  8. São flexíveis;
  9. Aceitam e compreendem a necessidade de mudanças e adaptações em benefício dos resultados do negócio.

COMO FAZER COM QUE O OWNERSHIP FUNCIONE

Vestir a camisa da empresa tornou-se um dogma muito contestado na gestão, pois exige muito mais dos empregados do que compensa, devidamente. Por isso é importante conduzir o processo de Ownership da maneira mais profissional possível para que o tiro não saia pela culatra e os profissionais, ao se sentirem desvalorizados e/ou enganados, chegarem ao ponto de deixar a empresa.

Primeiramente deve-se entender que o ambiente de trabalho deverá ser transformado para que tal filosofia funcione de fato. Não se trata meramente de técnicas que se resumam a procedimentos operacionais aplicados com relativa facilidade. Aqui, uma vez mais, o agente de mudanças é o fator humano.

- Defina um planejamento de implantação: Deve-se proceder reunindo os gestores e/ou líderes da empresa para uma apresentação da ideia, talvez até já formatada como um projeto. Nessa apresentação devem ser comunicados:

1) A importância da participação de todos para que o projeto se torne um sucesso;
2) As metas que se busca atingir;
3) Os profissionais necessários para sua execução;
4) Prazos nos quais se espera atingir os resultados almejados;
5) Pilares para a filosofia baseados em itens como recompensas financeiras, realização pessoal, relacionamentos, transparência, autonomia e comunicação.

Estruture um processo de contratação eficiente: Como já mencionamos várias das características que compõe o profissional com perfil Ownership já estão incorporadas em sua personalidade. Dessa forma, não se deve limitar o processo apenas à formação, tampouco à experiência dos candidatos.

Planeje a contratação e a consequente seleção de modo a averiguar e a constatar que os mesmos possuam essas características em seu comportamento. Simulações funcionam bastante para esse intento.

Crie canais de feedback: Como mencionado há pouco, a comunicação deve ser um dos pilares dessa filosofia. E o feedback um dos aspectos mais operacionais da mesma. Estimule os profissionais a falarem sobre o que vem acontecendo, pois eles detêm informações privilegiadas. Tal postura demonstra a eles sua importância além de seu interesse no que eles têm a dizer.

Tais informações também poderão ser bastante úteis na formatação de ações futuras, bem como na correção atual de algumas políticas. Lembre-se sempre da autonomia com a qual o profissional deve agir.

Estabeleça objetivos claros e resultados esperados: A partir do momento em que se espera que um profissional venha a agir como um proprietário é bem razoável que ele saiba para onde deve ir e o que necessita conseguir.

Dessa forma suas ações devem ser norteadas por objetivos bem claros e metas tangíveis. Uma ferramenta bastante útil é a OKR, sigla em inglês que significa Objectives and Key Results, ou Objetivos e Resultados-Chave. É um modelo de gestão que está alicerçado em metas. Favorece o foco, a disciplina e a concentração.

Outro método disponível é o OMTM, ou One Metric That Matters. Em português, A Única Métrica que Importa, já que o Ownership é focado em resultados. Ele funciona para simplificar os objetivos da empresa e concentrar os esforços de seus profissionais no momento presente.

- Estimule o intraempreendedorismo: Nada mais eficiente para profissionais proativos e comunicativos do que serem estimulados a buscar novas soluções para “seu” negócio. O intraempreendedorismo ou empreendedorismo interno, permite aos empregados dirigirem sua energia criativa para o auxílio à empresa no tocante a novas formas de resolução e obtenção de resultados.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DE IMPLANTAR O OWNERSHIP?

Contar com uma equipe com valores e habilidades como as requeridas para tal filosofia já é um enorme benefício para qualquer empresa. Porém, podemos tangibilizá-los.

Maior comprometimento: Essência da filosofia, o maior comprometimento ou engajamento leva os colaboradores a um empenho maior na consecução das metas elevando o padrão de qualidade dos produtos e serviços da empresa;

Maior autonomia: Condição indispensável para que o profissional incorpore a filosofia, a autonomia também gera benefícios importantes para a empresa criando uma rotina de trabalho mais leve e satisfatória para a realização do trabalho diário. Dessa forma a produção tende a crescer;

Maior faturamento: Benefício consequente de todas as ações necessárias para a implantação o aumento no faturamento acontece porque as pessoas responsáveis por ele também serão beneficiadas. Uma excelente forma que muitas empresas já adotam é a Participação nos Lucros e resultados, como forma de aumentar o engajamento e recompensá-lo devidamente.

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Mário José Martins
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Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG) e tenho um MBA Executivo em Marketing pela FGV. Tenho 25 anos de experiência profissional divididos em três campos de atividades: Educação, Serviços Linguísticos e Marketing.

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