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Biomimética: Aprendendo a imitar a natureza

Biomimética: Aprendendo a imitar a natureza

A biomimética é a inovação inspirada na natureza. Afinal, ela tem as soluções mais originais para resolver problemas. Por que não se inspirar nela?

Embora a imitação da natureza pareça  simples, é preciso treinar o olhar, observar e compreender a natureza para então criar. Trata-se de um processo de aprendizagem que pode ser aplicado nos problemas modernos. Como sabemos, a natureza passa pelo processo de tentativa e erro há milhões de anos e seria um desperdício não utilizarmos esse conhecimento.

O conceito da biomimética surgiu com o velcro. Em 1941, em uma viagem de caça, o inventor George de Mestral teve a ideia ao tentar remover as sementes de Bardana de sua roupa. O engenheiro queria descobrir como é que essas sementes se “agarravam” tão firmemente à roupa. Para isso, resolveu estudá-las com a ajuda de um microscópio e constatou a existência de filamentos entrelaçados que terminavam em pequenos ganchos. Ele copiou a estrutura em plástico e nylon e assim nasceu sua invenção.

Biomimética e suas inovações


O estudo das estruturas biológicas e suas funções podem ser aplicadas em diferentes domínios da ciência, como biologia, design, engenharia, medicina, tecnologia etc. Trata-se de usar a natureza como fonte de criação e inovação para soluções no dia a dia.

Um dos exemplos atuais é o da organização norte-americana Biomimicry Institute que organiza o Food Systems Design Challenge - Desafio de Design de Alimentos- que encoraja empreendedores a melhorar o sistema de produção alimentar imitando processos encontrados na natureza. Além disso, o Instituto criou uma aceleradora de startups para auxiliar os finalistas a comercializarem seus projetos. 

O Holonic Integrated Produce Swarm (HIPS) é um aplicativo de networking para produtores de alimentos. O sistema é inspirado nos enxames de abelhas. A plataforma liga os produtores locais e regionais, facilitando as transações e a logística de distribuição dos produtos. Outra criação no segmento de alimentos, desenvolvida pela Universidade de Stanford, são as baterias íon-lítio, mais leves e duráveis, inspiradas na disposição das sementes de romãs.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram um nariz eletrônico baseado no funcionamento do nariz humano. Nesse caso, a biomimética é utilizada pelas indústrias em testes sensoriais, uma vez que identifica a presença de compostos indesejados, desde a rancidez na manteiga até a inspeção de pescado.

Na Europa, mais de 100 milhões de pássaros morrem anualmente ao colidirem com vidros dos arranha-céus.  Pensando em solucionar este problema, a empresa alemã Arnold Glass estudou as grandes florestas. Eles notaram que os pássaros voam livremente e não colidem com as árvores por causa das teias de aranha, que possuem uma fibra que reflete luz ultravioleta, visível às aves. Fundamentado nisso, a marca desenvolveu fibras ultravioletas em seus vidros, mitigando as colisões e preservando a transparência dos vidros aos olhos humanos.

Já a indústria americana Ecovative tem como objetivo substituir alguns materiais, como o plástico e o isopor. A empresa produz embalagens e produtos a partir de micélios (parte vegetativa de um fungo) e restos orgânicos de fazendas locais. Hoje, a marca é líder mundial em biomateriais com suas linhas de produtos ecológicos. Os materiais são 100% biodegradáveis e têm custo e desempenho competitivo com os materiais convencionais.

Inovação social


Temos muito o que aprender com as lições da natureza, uma vez que ela promove a cooperação e não a concorrência. Com isso, a biomimética pode ser integrada à inovação social para ajudar as empresas a alavancar os relacionamentos, promovendo soluções produtivas e orientadas a resultados capazes de criar culturas organizacionais sustentáveis. 

Por exemplo, a biomimética pode orientar os líderes das empresas a se comprometer com a economia circular. Como a imitação da natureza pode ser aplicada a esse conceito? Simples, basta observar o desenvolvimento de uma borboleta. A lagarta, ao deixar o casulo, enfrenta horas de esforço contínuo para que possa se transformar em borboleta. Sem esse esforço, ela não conseguiria voar e, consequentemente, não sobreviveria por muitas horas. Ou seja, as empresas precisam encarar os desafios e mudanças, buscando soluções inovadoras para trazer resultados positivos.

Comunidade Sebrae
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