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Human on a chip: O teste de novos medicamentos que substitui os animais

Human on a chip: O teste de novos medicamentos que substitui os animais

A indústria de medicamentos e cosméticos testa seus produtos em animais há anos, mas devido aos avanços do mercado vegano e a grande preocupação com a saúde dos animais e do meio ambiente, as empresas estão melhorando seus métodos de produção  e mudando a composição de seus produtos, utilizando somente ingredientes de origem vegetal e natural, visando os consumidores que buscam uma vida mais consciente. Em vista disso, muitas marcas têm adotado métodos cruelty-free, ou seja, testes que não envolvem tratamento cruel de animais.

Em 2009, a União Europeia passou a proibir os testes em animais para cosméticos e, em 2013, a comercialização desses produtos. Já no Brasil, em 2012, foi criado o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos, ligado ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.  Ele é pioneiro no desenvolvimento de métodos alternativos de validação de pesquisa que não envolvam animais na fase de testes.

Em 2016, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) publicou uma resolução normativa que reconhece o uso de métodos alternativos validados que tenham por finalidade a redução, substituição ou refinamento do uso de animais em pesquisas.

A ciência e os testes em animais

Para desenvolver novos produtos, como medicamentos ou cosméticos, nos ensaios pré-clínicos, são utilizados métodos alternativos ao uso de animais para avaliar se a substância é prejudicial ou não. Sendo nociva, é descartada, caso contrário, segue para as seguintes etapas de avaliação. Porém, alguns métodos alternativos ainda não são capazes de informar se uma substância é segura quando administrada em animais ou seres humanos. Ou seja, mesmo que as avaliações iniciais não sejam feitas em animais, a substância só será aprovada (ainda na fase pré-clínica) por testes em animais. Isso ocorre porque é preciso analisar a toxicidade, a capacidade de gerar tumores, mutações ou outros danos. Caso, os testes sejam concluídos com sucesso, a próxima fase são os ensaios clínicos, realizados em seres humanos.

Nessa etapa, são analisadas e avaliadas a segurança da substância, a eficácia, a determinação da dose a ser utilizada, confirmação do efeito terapêutico e possíveis reações adversas. Após a conclusão desse longo processo, o medicamento poderá ser comercializado. Para que o registro e a comercialização dos produtos sejam liberados, as agências reguladoras exigem o cumprimento de todas as fases de testes.

Simulações de interações moleculares em computador e novas tecnologias para ensaios in vitro

Hoje, a busca por métodos alternativos aos testes em animais já apresenta resultados. Já estão sendo realizadas simulações de interações moleculares em computadores e novas tecnologias para ensaio in vitro que apontam um futuro livre de testes in vivo.

Para muitos especialistas, desenvolver e adotar alternativas que substituem os testes em animais podem reduzir os riscos para o próprio ser humano, uma vez que as particularidades das espécies podem alterar a eficácia das substâncias. Além das questões éticas, é preciso avançar na área científica, incorporando novas tecnologias e abordagens à toxicologia.

3 R’s da experimentação animal

 

O uso de animais de laboratório em pesquisas científicas é regido atualmente pelo princípio dos 3Rs, refinamento, redução e substituição (em inglês, refinement, reduction and replacement), que foi elaborado em 1959 pelos ingleses William Russell e Rex Burch. 

Ele consiste na redução do número de animais utilizados em pesquisas. A ideia é de aprimorar os procedimentos de modo que ampliem a qualidade e confiança nos resultados, e, também, minimizem o sofrimento, o desconforto e qualquer alteração psicológica dos animais, que possam causar variações nos resultados. Por exemplo, alguns medicamentos muito avançados se aplicados em uma cobaia podem não provocar reações comparáveis às humanas.

Órgãos em chips


Atualmente, os cientistas conseguem retomar células ao seu estado inicial e, a partir delas, produzir órgãos e tecidos que podem ser utilizados em testes com substâncias tóxicas nas células do próprio paciente. Por exemplo, com os avanços no Projeto Genoma, a substituição dos testes in vivo por ensaios in vitro já está avançando.

O modelo tridimensional de epiderme desenvolvido no Brasil já possui resultados promissores. Esse modelo está sendo adotado em estudos de irritação e corrosão cutânea em substituição aos ensaios em cobaias e na eficácia no desenvolvimento de novos fármacos. A tecnologia aplicada aos testes in vitro estão compensando a deficiência dos modelos animais na similaridade com o organismo humano.

O conceito de organs-on-a-chip utiliza células-tronco para fazer crescer órgãos humanos integrados a microchips capazes de reproduzir o funcionamento de órgãos, como o coração e o pulmão.

Cases

AstraZeneca

A tecnologia de órgão em um chip tem evoluído rapidamente.  Em 2013, a farmacêutica multinacional AstraZeneca em parceria com o Instituto Wiss da Universidade de Harvard, começaram a desenvolver órgãos em um chip para testar medicamentos, por exemplo, unindo as células importantes que compõem um pulmão, e em seguida imitando suas principais funções. Os pesquisadores então fazem testes para ver qual o impacto de uma possível droga sobre esse sistema chip imitando um pulmão.  Em 2018, a AstraZeneca assinou um acordo com a empresa Emulate a fim de acelerar o desenvolvimento de órgãos em microchips. Dessa forma, a pioneira dessa tecnologia para testes de medicamentos, está possibilitando a criação de modelos que substituem os testes em animais.

Kit pele brasileiro

São utilizados, cada vez mais, métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa para validação de cosméticos. No Brasil, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas desenvolveu uma pele artificial a partir de células retiradas de doadores. A pele criada pode ser utilizada na avaliação da toxicidade e eficácia de novas substâncias nas indústrias farmacêuticas e de cosméticos.

Como vimos, os testes em animais no mundo inteiro estão ficando para trás e, no Brasil, não é diferente.  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma norma que reduz a necessidade do uso de animais em testes para registros de cosméticos, medicamentos etc. Atualmente, estão aprovados 17 métodos alternativos pelo Concea. Ainda, vale lembrar que as empresas terão até o final deste mês para abolir totalmente os testes em animais nas categorias reconhecidas pelo conselho.

A conscientização da população a respeito do combate aos testes de cosméticos em animais também é importante! Precisamos ser consumidores conscientes, buscando informações a respeito dos cosméticos que levamos para casa, conferindo a composição e conhecendo os valores das empresas antes de comprar qualquer produto.

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