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Lawtechs- A transformação do mercado jurídico

Lawtechs- A transformação do mercado jurídico

As lawtechs, startups criadas especificamente para desenvolver produtos e serviços para o mercado jurídico, têm trazido uma nova dinâmica para escritórios de advocacia, departamentos jurídicos  e para quem utiliza esses serviços.

Atualmente, as lawtechs estão facilitando as atividades diárias de escritórios a fim de oferecer melhor acesso à justiça, desenvolvendo soluções que atendam às necessidades do próprio mercado jurídico. Assim, esse tipo de empreendimento está ocupando cada vez mais espaço, uma vez que conseguem suprir as demandas dos profissionais de direito de forma inovadora. Ou seja, as lawtechs surgiram para que esses profissionais tenham mais tempo para focar em tarefas que exigem mais dedicação, otimizando as tarefas “automatizáveis”.

Conciliação do direito com a tecnologia

Mesmo que o uso intensivo da tecnologia não faça parte da maioria dos escritórios de advocacia, as lawtechs têm permitido que os profissionais obtenham ganhos de eficiência de tempo e visão mais estratégica do mercado. 

Como esse é um grande mercado a ser explorado, a abertura à tecnologia tem possibilitado que os escritórios se especializem e desenvolvam soluções próprias para otimizar seus serviços. Para que isso ocorra de maneira natural, é preciso acrescentar à empresa a cultura de inovação, como participação em hackathon para aproximar os escritórios a essas startups, investimentos na área de tecnologia e mentoria no ambiente legal para estruturação do negócio.

Mercado em expansão

No Brasil, a  Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) mapeou 422 startups de tecnologia voltadas para a área jurídica em atividade no país. Em 2017, apenas 20 empresas faziam parte desse nicho.  Isso mostra que o mercado está em crescente expansão. Nos Estados Unidos, em 2018, as operações de compra, venda e investimentos em lawtechs movimentaram US$1,2 bilhão.

De acordo com a pesquisa da Zion Market, o segmento investiu US$3,2 bilhões em inteligência artificial, no ano passado e, chegará a US$37,8 bilhões em 2026. Esses dados mostram que a junção de tecnologia e mundo jurídico é uma tendência global.

As lawtechs se apoiam em diversas tecnologias, como a inteligência artificial, machine learning (aprendizagem de máquina) e algoritmos a fim de apoiar os serviços de juízes, promotores, advogados e procuradores. Além disso, oferecem soluções sem burocracia ao usuário final. Isso é possível devido a automação e gestão de documentos. Além disso, existem plataformas, como a analytics e jurimetria, que permitem a compilação de dados jurídicos, oferecendo análises de processos e previsão de decisões baseadas  no histórico de dados.

Essas empresas também oferecem tecnologias ao setor público, que permitem a desburocratização de audiências por meio da resolução de conflitos online, promovendo aos processos judiciais alternativas que envolvem mediação e negociação de acordos. Além disso, as lawtechs permitem que o serviço de compliance seja otimizado, uma vez que é direcionado à criação de políticas para que as empresas estejam em conformidade com leis e regulamentações fundamentais ao seu funcionamento.

Essa otimização de atividades e práticas jurídicas com a ajuda de soluções, serviços, ferramentas digitais e softwares já faz parte do cotidiano de lawtechs que são consideradas as melhores do mundo. Entre elas estão:

CaseText

Em 2013, na Califórnia, foi fundada a CaseText. A startup permite que advogados compartilhem detalhes, regulamentos e estatutos de seus casos por meio da inteligência artificial. Isso possibilita que os resultados sejam mais precisos. A plataforma pode ser utilizada de maneira estratégica e competitiva, pois os profissionais obtêm informações que não são encontradas facilmente por outros meios. Além disso, a plataforma possui milhares de membros que colaboram para que ela seja um ótimo espaço para ler e escrever sobre a lei.

 DoNotPay

A inglesa DoNotPay foi fundada em 2015. A empresa é famosa no mercado jurídico por ter desenvolvido o primeiro “robô advogado” do mundo. A startup combinou inteligência artificial com o chatbot por meio de um aplicativo do Facebook Messenger, responsável por resolver pequenas causas. A ferramenta permite que os usuários tenham menos despesas na hora de solucionar questões jurídicas mais simples de forma eficaz. Além disso, o serviço é gratuito.

Brochet

Outra referência no mercado jurídico é a Brochet. O software, que surgiu no Reino Unido, auxilia os advogados a fazer uma varredura em erros de digitação e gramaticais. Além disso, o Brochet também otimiza o tempo e a qualidade dos documentos legais.

Em resumo, as lawtechs surgiram para modernizar e otimizar o ambiente jurídico. Para isso, os profissionais dessa área devem ter uma nova postura a fim de se adaptar a esse novo modelo de trabalho, oferecendo uma forma eficaz no gerenciamento de processos e clientes.


 

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