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Como dezenas de advogados formam uma comunidade de inovação e gestão na OAB-PR

Como dezenas de advogados formam uma comunidade de inovação e gestão na OAB-PR

É um experimento que começou em 2018. Estamos testando se é possível que a Comissão de Inovação e Gestão da OAB-PR funcione como uma comunidade. Temos o propósito de que os advogados do Paraná sejam referência no Brasil e no mundo em tecnologia, inovação e gestão. Essa proposta nos une e nos permite confiar na autonomia dos membros da comissão para que desenvolvam atividades em prol da advocacia no nosso âmbito de atuação, dos objetivos institucionais, e das demandas da diretoria da OABPR. O mais interessante - somos todos voluntários.

Hoje a comissão reúne mais de 140 integrantes, dos quais pelo menos 50 ajudam a gerir diversos projetos que a comissão realiza. Recentemente terminamos o quarto ciclo dos grupos permanentes de debate, que neste primeiro semestre reuniu cerca de uma centena de participantes em 11 temas de tecnologia e direito. É provável que sejam lançados cerca de dez outros grupos ainda neste ano. Desde sua criação em 2018, ao menos cerca de 300 advogados participaram dos grupos, foram publicadas em parceria com a Escola Superior de Advocacia da OAB-PR dois e-books e outros três estão em produção para sair ainda neste ano.

Na área de gestão, temos um grupo de trabalho que vem desenvolvendo diversas atividades de apoio à advocacia. Um grupo de trabalho de Jurimetria vem realizando atividades conjuntas com a Comissão de Recuperação Judicial da OAB-PR, para análise de decisões judiciais. O LabTech, nossa iniciativa de aprendizagem e aplicação de tecnologia na área jurídica, vai dando os seus primeiros passos. 

Além disso, com a pandemia, o About Law, nosso evento de conversas descontraídas com especialistas do Direito em bares de Curitiba, teve de se adaptar aos tempos de distanciamento social. Para não perder a essência que o define – a criatividade – passou a trabalhar temas de filmes e séries de ficção científica, a fim de explorar questões atuais da sociedade, bem como do futuro imediato. Sem contar os quatro hackathons que fizemos (a foto deste texto é do Global Legal Hackathon deste ano) e os relatórios de sugestões para uniformização de normativa do World Legal Summit. 

A seguir apresento algumas reflexões sobre os motivos que têm permitido uma expansão de nossas atividades sem perder a essência do que nos faz trabalharmos juntos.

Propósito

Como descrito na abertura deste texto, temos o propósito de que os advogados paranaenses sejam reconhecidos em nível nacional e internacional como referências em tecnologia, inovação e gestão no direito. Isso tem gerado um efeito agregador, dá para nós uma orientação sobre onde queremos chegar.

Valores

Para que as atividades possam acontecer de forma ágil, abdica-se de um controle rígido e aposta-se no desenvolvimento cultural. Temos (pelo menos) três valores que orientam nossa conduta e são sempre lembradas como parte de nossa ordem negociada. São eles:

  1. A excelência;
  2. A ética de trabalho e;
  3. A solidariedade.

A busca pela excelência nos permite compreender que estamos colocando nossa capacidade em desenvolvimento, convivendo com nossas falhas e agindo para melhorar nossa performance. Não há espaço para vaidades pessoais.

A ética do trabalho valoriza os makers. Os cargos da comissão significam trabalho, coordenação e responsabilidade.

A solidariedade acaba sintetizando as dimensões do cuidado de Krogh, Ichijo e Nonaka (2002) que sugerem que em um ambiente de criação de conhecimento as relações necessitam de empatia, acesso à ajuda, coragem e julgamento suave. Isso permite que todos se expressem com linguagem adequada, de forma positiva, com o objetivo de construir novas realidades.

Espaço de criação de conhecimento

Deliberadamente utilizamos o conceito de “ba” organizacional, ou seja, o espaço em que o conhecimento é compartilhado, dinamizado e conduz à inovação. Essa ideia tem sua origem nos trabalhos de Nonaka, Takeuchi, Konno, Krogh e Ichijo, que estudaram o sucesso de empresas japonesas como a Toyota em conquistar novos mercados e inovar.

Primordialmente Nonaka emprestou o termo “ba” da filosofia japonesa, cujo significado literal é “lugar”. O “ba” organizacional ou contexto capacitante, na visão de Nonaka seria o espaço físico, virtual e mental que dinamiza a construção do conhecimento. Essa ideia é uma das principais que utilizei em minha dissertação de mestrado, que pode ser conferida  aqui.

Enquanto a ideia de um lugar físico ou virtual seja bastante intuitiva, o espaço mental necessita de alguma explicação – seria aquele em que se compartilha visões de mundo, propósito, valores, comportamentos, ética e intencionalidade na criação de novos conhecimentos. Utilizamos esses conceitos para fundamentar o nosso modo de trabalhar em todas nossas atividades, a fim de que todos possam colaborar com seus repertórios individuais, acelerando o aprendizado.

Desenvolvimento de Lideranças

De certa forma, nos consideramos um grupo de desenvolvimento informal de lideranças. Entendemos que cada um dos membros pode liderar os demais em assuntos que domina. Por essa mesma razão, todos são estimulados a serem líderes de processos de trabalho dentro da comissão, assim que se sentirem prontos e assim que desejarem.

Atualmente, dado o tamanho da comissão, foi necessário criar uma estrutura organizacional simbólica de diretoria com 11 membros, para darmos conta de expandir os trabalhos em amplitude, abrangendo sempre que possível o interior do estado, e em profundidade, causando maior impacto. Assim conectamos ação e propósito.

Apoio da direção e do corpo técnico

É claro que isso tudo acontece porque o presidente da OAB/PR, Cassio Lisandro Telles, assim como o corpo diretivo da Ordem, tem apoiado as atividades desta nossa vibrante comunidade, da mesma forma que na gestão anterior, de José Augusto Araújo de Noronha. Sem esse apoio os esforços não se concretizariam. Da mesma forma, sem o apoio de nossos colegas de comissões e da Escola Superior da Advocacia da OAB/PR, pouco seria possível fazer. E, por fim, sem o esforço dos funcionários da OAB-PR em sempre gentilmente nos atender, seria muito difícil desenvolver projetos. A gente só tem é a agradecer.

 

Rhodrigo Deda

Advogado, doutorando em Engenharia de Software, mestre em Tecnologia e Sociedade, presidente da Comissão de Inovação e Gestão da OAB/PR.

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