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Inteligências coletivas para vencer o coronavírus

Inteligências coletivas para vencer o coronavírus

Inteligência artificial é legal; inteligências coletivas, muito mais. Cérebros e sistemas de informação juntos formam redes inteligentes de grande valor para resolver problemas em tempos de pandemia. Colaboração não é algo fácil, porque o ser humano é sempre demasiado humano, e muitas vezes interesses pessoais podem dificultar que o fluxo da inteligência massiva possa apresentar seus resultados. Mas quando dá certo de as pessoas colaborarem os resultados podem ser incríveis, como estamos vendo bons exemplos surgirem agora, no caso do coronavírus.

A Singularity Hub deu sua importante contribuição para nossos hackers cívicos se inspirarem ao publicar texto de autoria de Aleks Berditcheyskaya e Kathy Peach, que sugere sete vias para que os ativistas digitais construam ferramentas para estes tempos em que as doenças são exponenciais. Fiz uma compilação das ideias, adaptei ao nosso contexto (de 2 a 8) e inclui a primeira, com base no que as pessoas em Curitiba e em outras cidades vêm fazendo.

1. Plataformas Colaborativas

O trabalho colaborativo é um desafio desde o surgimento dos protocaçadores humanos. Mas essa é a chave da sobrevivência pelo menos desde que decidimos caçar animais maiores que nós, como os mamutes. As redes sociais podem ser usadas para fins mais nobres que espalhar fake News, como organizar grupos de ação emergencial (https://contracoronavirus.com.br/), cocriação de soluções de modo remoto (https://www.portodigital.org/119/37975-porto-digital-e-mppe-lancam) ou fazer a conexão entre problemas e soluções desenvolvidas por empreendedores de impacto (https://inova.contracoronavirus.com.br/). 

2. Jogos “sérios”

Aleks Berditcheyskaya e Kathy Peach afirmam que pesquisadores da Universidade de Washington estão oferecendo a cientistas e ao público que joguem um jogo digital cujo desafio é criar uma proteína capaz de impedir que o vírus se infiltre em células humanas (https://www.geekwire.com/2020/university-washington-coronavirus-puzzle-game-aims-crowdsource-cure/). Mais de 200 mil jogadores já se registraram. Em tempos de crianças e adolescentes em casa, a criação rápida de jogos com um propósito maior é uma boa oportunidade para educar com diversão.

3. Monitoramento e informações instantâneos

Berditcheyskaya e Peach relatam o caso de um grupo de desenvolvedores que usou base de dados do governo em Cingapura para mapear casos de infecção, local onde a pessoa vive, hospital que foi internado, tempo de recuperação entre outros dados. A abordagem foi adotada, explicam, para se buscar melhores maneiras de ajudar a sociedade a tomar decisões.

4. Mineração de dados de mídias sociais

Segundo Berditcheyskaya e Peach, a Wired publicou reportagem em fevereiro que mostra como médicos pesquisadores de Harvard usaram dados de mídias sociais da população para monitorar o progresso da epidemia. Coletaram postagens das mídias sociais e usaram processamento de linguagem natural para identificar menções a sintomas da doença.  

5. Ciência Cidadã

O simples é belo. Em 2018 a BBC realizou um projeto envolvendo a população, que colaborou na geração de dados para estudos sobre como infecções se espalham, relatam Berditcheyskaya e Peach. Os cidadãos usaram um aplicativo que monitorava sua geolocalização e pedia que relatassem com o que tinham tido contato naquele dia – o que gerou uma enorme quantidade de dados para apoiar os pesquisadores na compreensão do perfil dos hiper-espalhadores de infecções e as possíveis medidas para controlar surtos futuros. A pesquisa está em andamento, mas parte dos dados já analisados têm sido útil para o Reino Unido planejar uma resposta ao coronavírus.

6. Testes de código aberto

Berditcheyskaya e Peach mostram que o Just One Giant Lab (https://app.jogl.io/project/118%23news) está realizando um esforço para desenvolver um teste rápido e barato e acessível. A ideia é que a comunidade mundial de pesquisadores possa trabalhar de forma aberta para a criação de kits de teste para benefícios de todos.

7. Previsão e modelagem

A plataforma de monitoramento Blue Dot (https://bluedot.global/) fez um alerta a seus usuários sobre o surto de coronavírus em Wuhan, na China nove dias antes da OMS divulgar algo sobre o assunto. Previu também que o vírus se espalharia para Bangkok, Seul, Taipei e Tóquio – o que de fato aconteceu.

A plataforma opera com bases de dados existentes para criar novos insights preditivos, usando IA e processamento de linguagem natural, a fim de analisar relatórios de surtos de doenças em animais, reportagens em 65 idiomas e dados de passageiros de companhias de aviação. Por fim, os dados são analisados por diversos especialistas – epidemiologistas, veterinários e ecologistas – para validar as hipóteses formuladas.

8. Conhecimento compartilhado

Existe um ditado antigo que diz: “não se come sozinho”. Pois é, o mesmo vale para o conhecimento. Berditcheyskaya e Peach informam que o NextStrain (https://nextstrain.org/ncov) coleta dados de laboratórios em nível global para sequenciar o genoma de amostras virais e compartilham descobertas sobre o perfil do vírus. Em outra iniciativa, ativistas do Reddit quebram paywalls de bases de dados científicas, segundo elas, e compartilharam um arquivo com mais de 5 mil artigos sobre o coronavírus. E a OMS está compilando, de acordo com Berditcheyskaya e Peach, todas as pesquisas publicadas em bancos de dados globais.

Nos nossos tempos hiper acelerados, conhecimento compartilhado é conhecimento multiplicado. Realmente será do esforço coletivo que venceremos essa pandemia.

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