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Por que fazer um hackathon

Por que fazer um hackathon

No próximo fim de semana teremos a etapa local do Global Legal Hackathon em Curitiba, que vai acontecer entre os dias 6 a 8 de março, na sede da OAB-PR. É a quarta competição organizada pela Comissão de Inovação e Gestão da OAB-PR e lá se vão alguns anos desde que organizamos o primeiro hackathon de law techs no país.

Realizar esse tipo de evento é muito trabalhoso, o que sempre gera dúvidas se devemos encarar mais um. Felizmente ao longo desses anos contamos com equipes incríveis, inspiradoras, com alta capacidade de realização e desempenho técnico. Nunca é uma tarefa simples.  Os obstáculos começam com a necessidade de viabilizar financeiramente o evento, o que significa elaborar orçamento, busca por patrocínios e todo o cuidado para a conta fechar no azul.

É preciso também estabelecer uma rede de comunicação em universidades, centros de inovação e coworkings para mobilizar bons competidores. É necessário, ainda, um time excelente para conduzir toda a operação, desde as questões técnicas às não tão triviais, como o incessante fornecimento de café. Além disso, ao final da competição, é importante que todos saiam satisfeitos, que tenham aproveitado os dias para aprender, e, sobretudo, para se divertir. Afinal, se não for divertido, jamais será sustentável.

Mas se os desafios são tantos, porque insistir em gastar o tempo mobilizando tanta gente para realização de um trabalho que, no final das contas, é voluntário? Ora, porque entendemos que um hackathon não é apenas uma competição. É um espaço de criação de conhecimento.

Nossa experiência em realizar eventos de inovação começou em 2011 quando, junto com o então Instituto Atuação (atual Sivis), fizemos o primeiro hackday de transparência pública do Estado. No ano seguinte, como editor-executivo de Vida Pública da Gazeta do Povo, fizemos o segundo hackday no Paraná, como parte da campanha Política Cidadã.

A experiência com aquelas duas primeiras iniciativas, cujo objetivo era fortalecer a transparência pública, ajudaram para que anos depois, como presidente da Comissão de Inovação e Gestão da OABPR, a gente embarcasse em 2016 na aventura de fazer o primeiro hackathon e, no ano seguinte, ousássemos realizar uma maratona tecnológica em um formato inovador, que durou um mês e premiou os mais capacitados realizadores criativos.  

A nossa preocupação sempre é a de criar um ambiente dinâmico, que estimule os competidores a desenvolver produtos inovadores. Uma evidência de que isso tem funcionado a gente viu no ano passado, quando pela primeira vez fomos anfitriões da etapa local do Global Legal Hackathon. Numa competição que envolveu 40 cidades do mundo todo, a equipe que venceu em Curitiba se classificou para a final e foi apresentar seu projeto em Nova Iorque, inserindo a OABPR e a comunidade local no mapa mundial das discussões sobre tecnologia e direito.

É verdade que hackathons são eficientes para a sensibilização de empreendedores, como já pudemos observar com gente que participou de nossas competições e criaram negócios na área do direito que hoje estão em franca expansão. Mas, os organizadores não precisam se contentar com o efeito sensibilizador. Hackathons podem ser mais.

Entendemos que essas competições de tecnologia, criatividade e direito são laboratórios de inovação aberta. O principal desafio dos organizadores é conseguir estabelecer um processo de trabalho que dinamize o ambiente para fazer emergir o conhecimento inovador.

Quando a gente declara para colaboradores e participantes que um hackathon é um espaço de criação de conhecimento, um laboratório de inovação, um efeito mágico acontece. As pessoas compreendem que há um caminho fabuloso a ser percorrido. Elas percebem fazer parte de algo muito maior que os aspectos de gincana que a competição proporciona.

Essa pequena epifania muda o universo por dois dias. O comportamento dos concorrentes se torna mais aberto à colaboração. Os mentores, especialistas e empreendedores, conectam suas experiências e conhecimentos à missão que lhes foi reservada – contribuir para o aprendizado dos mentorados, o que nem sempre é uma tarefa fácil.

Criar esse ambiente, testar novos formatos de criação de conhecimento, e estimular o desenvolvimento pessoal – de competidores, mentores e organizadores –, aprendendo ao longo do processo como fazer a inovação aflorar é o grande legado que os hackathons nos propiciam.  

É o desafio que nos move. Descobrir como catalisar a criação de inovações, oferecer a melhor experiência possível em quarenta e oito horas, estimular a imaginação mas também a realização. Como efeito emergente temos visto surgir instigantes produtos que trazem orgulho para toda nossa comunidade.

Neste ano teremos novidades, sutis, é bem verdade, mas que podem fazer a diferença para os empreendedores mais atentos desenvolverem produtos inspiradores, de impacto positivo no ambiente da justiça brasileira, e, até mesmo, mundial. Afinal, se não for para causar impacto, nem arriscamos sair de casa.

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