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[Entrevista] Cibercultura: A nova linguagem do consumo

[Entrevista]  Cibercultura: A nova linguagem do consumo

Confira na  íntegra a entrevista exclusiva com a pós-doutora e professora em Comunicação, Letícia Herrmann.

A maneira como os consumidores estão interagindo com as mídias está mudando. Pode-se dizer que a cibercultura é uma migração do mundo real para o imaginário.

O objetivo desta entrevista é mostrar como a cibercultura vincula uma visão de mundo inter-relacionada com a realidade atual e com o fenômeno da comunicação digital.

1- Segundo Pierre Lévy, cibercultura é o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o ciberespaço. Como podemos inter-relacionar o conceito com a realidade atual e com a comunicação digital?

O cenário atual digital não existe sem as práticas advindas da cibercultura. Sinto que hoje já ultrapassamos um pouco estas dinâmicas apenas da construção material e intelectual, levantadas por Lévy. Temos uma hibridização praticamente completa da vida, no que se refere do pertencimento ao digital. Entendo que as dinâmicas digitais mudaram o modo com que nos relacionamos, consumidos e também torna-se motivadora de uma possível existência moldada pelas relações digitais. 

Experiências das mais diversas áreas são mediadas pelo universo advindo da cibercultura. Cirurgias com robôs sem a presença física do médico seria um bom exemplo disso, além de carros que estacionam sozinhos, plataformas que aproximam, que ensinam, que dão afeto.

Interessante ressaltar as questões associada aos valores, aos princípios. Estamos em um momento onde as questões ideológicas conquistam uma representatividade importante, pois nossas práticas se tornaram mais facilmente percebidas, rastreadas e registradas. Vivemos num momento em que o digital ativou nossos valores humanos, tornando-os públicos, construindo nossa identidade.

2- Como é a linguagem da cibercultura? E como ocorre a convergência entre as diferentes mídias?

Não sei se podemos dizer que a cibercultura tem uma linguagem própria. Entendo que permite um hibridismo de linguagens nas múltiplas plataformas. Está é a graça, estar aberta, sem padrões preestabelecidos e se construindo a cada dia com a experiência dos usuários participantes.

As diferentes mídias são disponibilizadas para acesso de mais pessoas. Não podemos generalizar dizendo que todos têm acesso, mas certamente tornou-se mais popular. Muitas mídias que eram centralizadas, como a televisão, por exemplo, dividem espaço com outras novas mídias ou produtos midiáticos, ao exemplo dos digitais influencers. 

3- Como essa convergência destaca as modificações na linguagem propostas pela cibercultura?

O modo de vida é o que condiciona as linguagens, então as apropriações advém dos hábitos cotidianos. O termo convergência é bastante amplo, refere-se à tecnologia, cultura, sociedade e uma infinidade de outros quesitos. A convergência foi ocasionada pela cibercultura, funcionando quase que como uma simbiose.

4- Como a cibercultura transforma a relação das pessoas com a tecnologia?

Ela é a própria transformação, dando acesso, disponibilizando ferramentas na tentativa de democratizar a comunicação, facilitar a vida, agilizar os processos, aproximar pessoas.

5- Na comunicação, o modelo convencional de consumo de mídia, que era dirigida por um anunciante ou agência de comunicação por meio de um comercial veiculado em um meio de comunicação de massa ou mídia dirigida ao consumidor, mudou. Hoje, podemos dizer que a comunicação é uma via de mão dupla entre a mídia e o consumidor?

Na realidade a premissa da comunicação sempre foi teoricamente uma via de mão dupla, mas com a restrição de ferramentas de feedback, nem sempre tínhamos acesso na participação e construção dos conteúdos. 

A formatação da mídia atual é mais amigável, acessível financeiramente, além da cibercultura ter estimulado o hábito da participação, que considero um dos mais importantes ganhos da comunicação, dando voz ativa à qualquer pessoa com acesso a internet e aos dispositivos digitais para acessá-la. Nos dias de hoje, pessoas comuns ocupam o lugar na mídia e da mídia.

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