[ editar artigo]

Quais os impactos da LGPD nas estratégias digitais?

Quais os impactos da LGPD nas estratégias digitais?

A partir do próximo ano, a forma como os dados pessoais serão tratados passará por grandes mudanças em função da Lei de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A lei estabelece regras à iniciativa privada e ao poder público sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, tanto no meio digital quanto convencional. O objetivo da LGPD é aumentar a proteção de dados dos usuários.

Com a economia digital, o uso de dados dos usuários vem sendo cada vez mais explorado nas estratégias de marketing por meio do Analytics, Data Mining, Big Data, redes sociais, aplicativos com serviços personalizados etc. Essas plataformas se multiplicaram e as empresas passaram a coletar diferentes tipos de dados. Uma das estratégias utilizadas por muitas delas para conseguir informações sobre os consumidores é a oferta de serviços gratuitos em troca de seus dados pessoais.

Nos últimos anos, com a coleta indiscriminada de informações, diversos casos de vazamento de dados foram relatados e as pessoas passaram a sentir sua privacidade “invadida”. Com isso, foram definidas algumas regras para balancear a forma de inovar por meio da tecnologia e a privacidade dos usuários.

A Lei nº 13.709/2018 e a regulamentação de dados pessoais e dados pessoais sensíveis

A LGPD regulamenta tanto o tratamento dos dados pessoais quanto dos dados pessoais sensíveis. O primeiro caso corresponde às informações relacionadas ao titular, ou seja, pessoa natural identificada, o que inclui nome, endereço, idade, estado civil, e-mail e situação patrimonial, podendo ser obtido por meio de qualquer tipo de suporte, como papel, imagem, meio eletrônico, som etc. A nova lei optou por ampliar o conceito dos dados pessoais englobados a fim de possibilitar ao regulador e operadores do direito a sua definição.

Os dados pessoais sensíveis correspondem aos dados pessoais sobre a origem étnica ou racial, opiniões políticas, convicções religiosas, dados referentes à saúde, entre outros,  vinculados a uma pessoa natural. A LGPD trata esses dados com maior rigor, sendo vedado o seu tratamento, exceto em hipóteses específicas trazidas pela lei.

A lei se aplica a toda operação realizada com dados pessoais, desde a sua coleta em determinada organização, todo o período de permanência e até sua eventual saída. Em alguns casos, a própria lei isenta determinados tipos de tratamento de dados, como os realizados para fins exclusivamente artísticos, jornalísticos, acadêmicos, defesa nacional, segurança do Estado, segurança pública, atividades de investigação e repressão de infrações penais. De acordo com algumas hipóteses, os dados pessoais provenientes de fora do Brasil ou que estejam de passagem pelo país também são excluídos da aplicação da lei.

Empresas que serão afetadas pela lei

A LGPD abrange todas as empresas que lidam, de alguma forma, com dados pessoais. A lei não se restringe aos dados pessoais armazenados digitalmente, pois a maioria das empresas detém algum tipo de cadastro com informações de funcionários, fornecedores, clientes etc.

Como a lei garante a cada um estabelecer os limites de utilização de suas informações pessoais, o titular deverá ser informado sobre a finalidade do tratamento dos seus dados. Por exemplo, nos contratos de adesão, o tratamento de dados pessoais pode ser uma condição para que produtos e serviços sejam fornecidos, porém, o titular desses dados deverá ser informado sobre isso.

Assim, de acordo com a LGPD, são três as principais influências nos processos realizados nas empresas:

  1. É  necessário que o usuário permita a captação de seus dados de maneira esclarecedora;

  2. O usuário tem o direito de saber todas as formas que os dados coletados serão utilizados, além de ser informado caso a destinação mude posteriormente;

  3. O usuário poderá solicitar todas as informações que a empresa tenha obtido sobre ele e exigir a remoção dos dados armazenados.

Em suma, todos os processos que envolvem a coleta, armazenamento e uso de dados devem visar o atendimento e simplificação dessas demandas.

Penalidades e responsabilidades em casos de descumprimento da LGPD

Empresas que não cumprirem a lei ficarão sujeitas a penalidades administrativas, como advertência e multa de até 2% do faturamento. Além disso, a penalidade pode chegar a R$50 milhões em caso de infração, bem como publicização da infração, eliminação e bloqueio dos dados.

Revisão das estratégias digitais

Sabemos que no marketing digital, várias estratégias são desenvolvidas a partir dos dados dos usuários. Porém, a LGPD não irá extinguir essas práticas, mas exigirá que elas sejam revisadas a fim de fornecer maior transparência e relevância. Dessa forma, algumas estratégias fundamentais para o marketing digital deverão ser impactadas pela nova legislação. 

E-mail marketing

O e-mail marketing pode ficar comprometido pelas regras impostas pela LGPD. Contudo, é preciso que as empresas façam um levantamento de toda base atual e assegurem que todos os usuários autorizem o envio dos e-mails. Além disso, é fundamental que os novos inscritos concedam o uso dos dados, evitando o retrabalho até a lei entrar em vigor.

Saiba mais sobre o assunto neste artigo: https://comunidadesebrae.com.br/tudo-sobre-marketing-digital/e-mail-marketing-antiga-tatica-de-comunicacao-importante-para-pequenas-empresas-atingirem-seu-publico-alvo

Marketing de conteúdo

O marketing de conteúdo é uma das estratégias mais utilizadas quando o assunto é o interesse do consumidor. Nele, os materiais são desenvolvidos de acordo com o perfil da persona. 

Atualmente, essa estratégias já tem como característica o engajamento mais transparente e eficaz, pois permite que o relacionamento com o cliente seja mais natural, criando laços, o que o motiva a compartilhar seus dados.

Prospecção e geração de leads

Prospectar e gerar leads também devem se adequar às novas regras da LGPD. Mesmo que a lei não se restrinja a essas abordagens, é preciso ter em mente que a coleta de dados deve ser consentida pelo usuário. Além disso, os meios utilizados para a coleta de informações não devem ser exagerados. Portanto, as regras da LGPD devem ser cumpridas para que a empresa continue atraindo potenciais clientes sem violar a segurança dos dados.

Mídias pagas

Como sabemos, a segmentação em anúncios do Google, por exemplo, é realizada utilizando informações obtidas por meio de cookies coletados nos sites. Por isso, as mídias pagas são uma das estratégias que precisam de uma revisão mais minuciosa.

De acordo com a nova lei, será responsabilidade da empresa informar sobre a instalação de cookies para a obtenção de dados, principalmente, se eles forem utilizados em campanhas nas redes sociais.

Como vimos, a LGPD não inviabiliza as estratégias digitais, mas exige que os profissionais tenham mais cautela e transparência na coleta e tratamento dos dados pessoais dos usuários.

Marketing Digital

Comunidade Sebrae
Ler conteúdo completo
Indicados para você