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O consumidor como ator estratégico para ações de sustentabilidade.

O consumidor como ator estratégico para ações de sustentabilidade.

Quem fez minhas roupas e de onde vem? Os consumidores querem saber. Esse enfoque está nos principais fatores que interferem e levam as pessoas a tomarem uma decisão de compra.  

Acelerada pela pandemia, as novas formas de se relacionar com as peças, na busca de mais sustentabilidade para o armário, é uma tendência que se consolidará nos próximos anos. 

A indústria de produção de têxteis, vestuário, acessórios e calçados é a segunda mais poluente do mundo, e tem crescentemente investido em sua relação com o meio ambiente para mitigação de seus impactos. No entanto, observa-se que o consumidor também tem feito parte desse processo e sua colaboração é primordial. A Mckinsey & Company, demonstrou em estudo recente, que o consumidor de moda reconhece a importância de se limitar os impactos devido às mudanças climáticas. 

A empresa nacional fabricante de vestuário Malwee, por exemplo, percebeu a importância de adoção de práticas sustentáveis no seu modelo de negócio como uma estratégia inovadora de redução do seu mix de produtos e portifólio de marcas. A empresa comunica seu posicionamento frente ao mercado interno e ao mesmo tempo educa, evolutivamente, o consumidor a prolongar a vida útil das roupas, utilizando-a por mais vezes, com a aquisição de peças atemporais e mais versáteis, aumentando a mútua responsabilização socioambiental. 

Estes esforços, somados à energia que tem sido investida para reconhecer o comportamento do consumidor, visa reconhecer o protagonismo desse elemento nas decisões de desenvolvimento de novas coleções por parte das marcas.  

Neste texto, apresentamos uma breve análise das principais perguntas realizadas por empresas de consultoria em inteligência de mercado e organizações especializadas visando uma maior compreensão das necessidades e comportamento dos consumidores de artigos de moda foco em vestuário e calçados sob a ótica da sustentabilidade. Busca-se identificar “gaps” nos questionários, observando oportunidades de abrangência e melhoria metodológica. 

Foram compiladas duas pesquisas: 

  • “Pesquisa de Comportamento: Uso, Cuidados e Descarte de Itens de Vestuário”, realizada pela MODEFICA em parceria com a FGVces - Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas e a Regenerate Fashion iniciada em outubro de 2020. 
  • “Pesquisa: Sentimento do consumidor sobre sustentabilidade na moda”, desenvolvida pela McKynsei & Company em abril de 2020. 

O estudo da Empresa McKinsey teve como objetivo conhecer esse consumidor com relação a aquisição sustentável de artigos de vestuário e calçado no cenário pandêmico, verificando os hábitos, sentimentos e priorizações de consumo durante a crise da COVID-19. 

No Brasil, o estudo realizado pela Empresa Modefica, por sua vez, elaborou perguntas com foco em sustentabilidade e futuro para reflexão do consumidor ao longo do ciclo de vida do produto.  

Ambas envolveram entrevistas a consumidores de classes, locais e idades distintas e tinham como objetivo descobrir e entender o que muda no comportamento de compra de Moda Vestuário e Calçados de estrangeiros e brasileiros, em meio a um cenário de crise pandêmica, e quais as perspectivas de consumo no curto e médio prazo para esses produtos. 

As informações levantadas foram a quantidade total de perguntas, o meio em que foram coletadas e período de execução da pesquisa (Quadro 1).  

Quadro 1 – Estrutura do perfil dos estudos selecionados e analisados pontualmente. 

Os resultados das pesquisas mencionadas e caracterizadas como de natureza pessoal ou altamente delicada, perpassam pela referência às ciências cognitivas onde o cérebro humano é o responsável por realizar o processo de tomada de decisão. No entanto, percebeu-se que algumas perguntas, da forma que foram feitas, podem ter influenciado na resposta positiva dos consumidores entrevistados, gerando falso-positivos. Dado que decisões de consumo configuram diferentes orientações, atitudes, crenças e abordagens do indivíduo, os entrevistados podem ter ficado constrangidos ou se sentido coagidos em dar uma resposta mais politicamente correta.  

Tal possibilidade foi percebida principalmente no estudo da McKinsey, onde foram feitas perguntas como: 

  • “Em que medida você concorda com a seguinte afirmação? Após a crise do COVID-19, os consumidores estão abertos para comprar itens de moda mais duráveis, bem como repará-los e mantê-los por mais tempo.” 
  • “Pretende comprar mais itens de moda de segunda mão após a crise do COVID-19?”  

No caso da Modefica, percebeu-se uma abertura maior para refletir de fato a tendência do consumidor, com perguntas mais abertas e sem apresentar já a resposta desejada. 

  • Aquisição da matéria-prima: “A maior parte dos produtos que você consome são produzidos por qual fibra?” 
  • Uso consciente: “Você acha que moda e vestuário estão relacionados às alterações climáticas e que têm impactos sobre o meio ambiente?” 
  • Pós consumo do produto:  “O que você faz quando você não quer mais uma peça de roupa?” 

Desse modo, ao avaliar pesquisas realizadas a partir de entrevistas, é muito importante atentar para o formato e o conteúdo das perguntas, pois elas podem “maquiar” o resultado final pela possibilidade de direcionamento das respostas. 

Um outro ponto importante está associado à linguagem utilizada nas mesmas. A Figura 1 apresenta uma nuvem de palavras com os principais termos utilizados nos questionários.

 Figura 1 – Palavras-chave utilizadas nos questionários de sustentabilidade em avaliação. 

 

As pesquisas apresentadas observam o levantamento de opiniões e crenças dos participantes, no sentido de buscar conhecimento sobre essa real relevância. A união de estudos dados traduz a informação desejada de maneira a retratar com fidelidade e precisão os registros, porém a estrutura das perguntas necessita de palavras-chaves, simples e que estejam de acordo com o nível de vocabulário do entrevistado, evitando complexidade e o direcionamento da resposta. 

A pandemia revelou a necessidade de repensar o consumo. Iniciativas internacionais na mobilização de estratégias quanto ao impacto menos nocivo, vislumbram cenários positivos com a mudança para um futuro mais sustentável na nossa sociedade. O consumidor é peça central nessa decisão de compra, e a construção de sua auto avaliação quanto a forma de ser e estar no mundo tem se intensificado. 

O Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NuSEC) do SENAI CETIQT está aqui para apoiar a indústria têxtil e de confecção nessa transição para a sustentabilidade. Para maiores informações entre em contato com nusec@cetiqt.senai.br

Obtenha dicas de como avançar em direção à sustentabilidade e economia circular acessando o nosso Autoavalição de maturidade circular. 

 

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