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Por que algumas empresas vão bem na crise?

Por que algumas empresas vão bem na crise?

O que aprendi observando mais de 200 empresas em Curitiba em maio e junho (T0) e depois em outubro e novembro (T1) de 2020?

Nassim Taleb, professor do Instituto Politécnico da Universidade de Nova Iorque, publicou em 2012 um livro chamado Antifrágil, coisas que se beneficiam com o tempo, que busca responder a esta pergunta. O

livro é bastante famoso e ganhou ainda mais notoriedade durante a crise causada pelo Covid-19. Taleb é Matemático por formação e nem sempre, ortodoxo, nos métodos utilizados para as conclusões. Não raro é rechaçado pela comunidade acadêmica.

O presente artigo não visa tropicalizar aqueles conceitos, mas observar os impactos do Covid-19 nas empresas de Curitiba e levantar hipóteses de caminhos que estão funcionando aqui em nosso ambiente. 

Uma técnica comum para identificar efeitos de serviços de alta complexidade ou especialização, tais como consultorias, é mensurar o desempenho da empresa que sofreu a interferência, antes e depois.

Logicamente, tal técnica é aplicada com base em indicadores específicos uma vez que tem que se observar processos que sofreram impactos do serviço (consultoria). Definidos os indicadores e processos a serem medidos, é comum que a observação inicial seja chamada de T0 e a segunda e/ou outras observações chamadas de T1, T2 e assim sucessivamente.

O que escrevo aqui consiste em uma comparação do momento em que viviam 214 empresas em Maio e Junho de 2020 (T0) e depois em Outubro e Novembro de 2020 (T1). Tal estudo foi realizado em parceria com Agência Curitiba de Desenvolvimento, que desenvolveu a ferramenta de coleta, e com o Sebrae Paraná, no apoio na coleta de dados e estratégia para o estudo. Por fim, a Realize Hub Inteligência de Mercado transformou os dados coletados em infográfico e dashboard interativo.

Mostra-se importante a compreensão das ações tomadas por empresas que não sofreram grandes impactos com a pandemia do Covid 19, a fim de encontrar padrões e tendências comportamentais que resultem em boas práticas para empresas de todos os ramos.

Dessa forma, apresentarei dados coletados nas duas etapas da pesquisa, comparando-os e chegando a conclusões relevantes sobre seus comportamentos e resultados nos dois períodos mapeados. O perfil das empresas analisadas segue as características dos gráficos abaixo.

GRÁFICO 1: Perfil da amostra

Fonte: Agência Curitiba, Realize Hub, Sebrae/PR, 2020c

No primeiro momento, das empresas que apresentaram aumento de faturamento, apenas 37,6% adaptaram seus trabalhos para que pelo menos parte ocorresse de forma remota/teletrabalho, 56,3% executaram suas atividades apenas de forma presencial, enquanto 6,3% não tiveram alterações na forma de trabalho.

No segundo momento, das empresas que também tiveram aumento de faturamento houve uma mudança significativa de comportamento, pois 16,7% estavam com seus trabalhos presenciais totais, 50% adaptaram suas atividades ao home office e, por fim, 33,3% não alteraram a suas formas de trabalho. 

Reflito aqui sobre a importância que as alterações das medidas restritivas às atividade e serviços para o enfrentamento da saúde pública (mudanças de bandeiras e de instruções quanto ao distanciamento social) tiveram na questão de adaptações às atividades.

Algumas empresas se tornaram mais participativas, uma vez que suas atividades permitiam tal ajuste, outras se tornaram menos presentes, ou até mesmo ausentes, tendo em vista as orientações de funcionamento competentes à elas.

Em relação às mudanças de utilização de canais digitais para vendas, apenas 18,8% das empresas participantes da primeira etapa da pesquisa não realizavam vendas ou captação de clientes por meio de canais online, sejam eles aplicativos de terceiros, sites próprios, Marketplace e mensagens de WhatsApp.

É importante destacar a participação da captação e vendas por meio do WhatsApp, pois 75% dessas empresas com bons resultados, fizeram uso dessa ferramenta. Outra estratégia que se apresentou relevante para as mesmas empresas foi a utilização de redes sociais.

No segundo momento da pesquisa, tendo como foco ainda as empresas que tiveram aumento em seus faturamentos, houve uma redução em comparação às empresas que não utilizam nenhum meio digital para se promover. Ainda, mostra-se importante dar destaque ao WhatsApp e às redes sociais, pois permaneceram os meios mais utilizados por essas empresas.

Dessa forma, fica evidente que a participação digital se mostra como um critério relevante para o impacto no faturamento das empresas, pois grande parte daquelas que tiveram aumento em seus faturamentos, de alguma forma, comercializaram seus produtos online .

Seguindo a análise com relação às estratégias digitais adotadas pelas empresas nos dois momentos da pesquisa, pode-se perceber que empresas que se adaptaram bem às ações de captação de clientes e vendas digitais, conseguiram ter aumento de faturamento. Observe no Gráfico 2 - Melhores e Piores performances. 

A  modalidade de pagamento que sofreu o maior aumento quanto à sua utilização foi a Plataforma Virtual, o que demonstra que as empresas observadas, que seguiram no mercado, optaram por realizar vendas online.

Além dessa modalidade, o recebimento de valores por meio de transações bancárias (doc, ted e outras) se mostrou presente em todos os momentos. Os gráficos abaixo ilustram os meios de pagamentos mais utilizados pelas empresas que melhor performaram e pior performaram, respectivamente. Neles é possível observar que as empresas que pior se saíram nos períodos de T0 e T1 não utilizaram plataformas digitais. 

GRÁFICO 2: Melhores e Piores Performances

            Melhores performances                          Piores performances 

Fonte: Agência Curitiba, Realize Hub e Sebrae/PR, 2020c

Espero que possa testar boas hipóteses em seus negócios em 2021. Para tanto, recomendo técnicas de Lean Prototyping e Market fit. Para os mais ortodoxos, pesquisas de mercado probabilísticas serão bastante interessantes também, embora normalmente impliquem em maior rigor técnico e prazo para chegar a conclusões.


 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Agência Curitiba, Realize Hub e Sebrae/PR. Infográfico de Impactos empresariais do Covid-19. Julho, 2020a.

Agência Curitiba, Realize Hub e Sebrae/PR. Infográfico de Impactos empresariais do Covid-19, comparativo T0 e T1. Julho, 2020b.

Agência Curitiba, Realize Hub e Sebrae/PR. Dashboard de Impactos empresariais do Covid-19, comparativo T0 e T1. Julho, 2020c.

Taleb, Nassim Nicholas. Antifragil: coisas que se beneficiam com o caos. 1.ed. . Rio de Janeiro: Best Business, 2015.

Ries, Eric. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Lua de Papel, 2012.

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