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A transformação do Varejo durante a pandemia e o que está por vir

A transformação do Varejo durante a pandemia e o que está por vir

Muito já falávamos sobre a iminente Transformação do Varejo nos últimos anos e sua intensificação prevista para os próximos, especialmente no que se refere à Transformação Digital. Mas foi com a chegada da Covid-19 que presenciamos uma aceleração dessas mudanças, como não imaginávamos até então.

Segundo dados do Google, a pandemia fechou temporariamente 60% das lojas físicas no Brasil, e o modo de comprar dos brasileiros conectados já não é mais o mesmo.

Enquanto as lojas fechavam, o comércio eletrônico batia novos recordes no país. O Portal E-commerce Brasil divulgou que no primeiro trimestre do ano o número de pedidos on-line cresceu 32,6% – mais do que o dobro do atingido no mesmo período do ano passado. Como consequência do aumento tão expressivo, o faturamento do 1º trimestre registrou incremento de 26,7% em relação ao mesmo período de 2019.

Apesar de um estudo da Nielsen, feito na semana pós Páscoa 2020, ter apontado que apenas 8% dos respondentes atribuíam como motivador de suas compras on-line diretamente o Coronavírus, 31% garantiam que Facilidade / Comodidade teria sido seu principal impulso para comprar via internet.

Um pouco mais adiante, no período de 30 de abril a 03 de maio, com o comércio de rua já abrindo parcialmente, parte dos consumidores voltou às lojas físicas, mas segundo pesquisa Google Surveys, 37% ainda preferia o e-commerce.

Dito isto, e trazendo para a realidade dos pequenos e médios negócios paranaenses,  acompanhei essa transformação digital "na marra" em muitas empresas varejistas. Da loja de brinquedos que implementou delivery via WhatsApp à rede de materiais de construção que intensificou a presença nas Redes Sociais com mais dicas e menos conteúdos comerciais, a palavra de ordem foi REINVENTAR-SE.

Houve um aparente pânico no setor, em especial nas duas primeiras semanas de isolamento social, mas os movimentos no sentido da multicanalidade garantiram manter pelo menos o mínimo das operações. A meu ver, o maior ganho estará no médio prazo, pois muito da reinvenção no modo como esses lojistas estão fazendo negócios será perene, e deve garantir resultados expressivos após a pandemia.

Paralelamente aos esforços do próprio setor, grandes empresas de tecnologia entenderam a gravidade da situação - em especial a vulnerabilidade dos pequenos negócios - e lançaram estudos, ferramentas e cursos on-line para preparar melhor os varejistas para tão grande mudança no contexto de fazer negócios.

A mais recente dessas ações é do Google, lançada no último dia 29. A empresa lançou a página Categorias em Ascensão no Varejo, para mostrar quais são os produtos mais buscados pelos consumidores. Essa consulta em tempo real é valiosa, visto que é preciso, mais do que nunca, entender o momento dos consumidores.

Segundo a página, nas últimas 10 semanas, à medida em que as pessoas passavam mais tempo em casa, vimos crescimento em diversas categorias, como Cama, Mesa e Banho (99%), Eletroportáteis (92%) e Utensílios Domésticos (72%). A procura por chinelos e pantufas cresceu 800% desde o início do distanciamento social.

Lembra do caso da loja de brinquedos que citei há pouco? Logo que a cliente começou a divulgar o delivery a partir de pedidos feitos via WhatsApp, viu sua receita chegar próxima àquela de "tempos normais": com as crianças em casa, jogos educativos e brinquedos para a família passaram a ter procura cada vez maior.

Outra rede de lojas de Curitiba, varejista de moda masculina e feminina, acompanhou as tendências de busca e intensificou a divulgação de Pijamas. Não deu outra: foram centenas de pedidos feitos na Loja Virtual desde as primeiras publicações nas Redes Sociais.

De todo modo, caso você esteja começando nos meios digitais e não tenha uma loja virtual ou presença efetiva em redes como o Instagram, tenha calma. O importante é aproveitar o momento e sair da inércia. Comece, o importante é não parar! No seu caso recomendo buscar ajuda no próprio Sebrae, que está conduzindo diversos projetos para aceleração digital.

Pra finalizar, gostaria de deixar três dicas importantes para esse período em diante, daqui para os "novos tempos":

  1. Há muito falamos, no Marketing, de Consumidor Omnichannel, aquele que quer comprar a seu modo, seja on ou offline. Aquele que quer ser atendido "on demand", que quer soluções rápidas e que não vê diferença entre canais de venda. O "novo Consumidor", que quer ter seu problema atendido independente do meio. Não esqueça mais dele! Esse novo Consumidor não é mais futuro, ele é AGORA;
  2. Analise dados! Use não apenas a página que recomendei, desenvolvida pelo Google, mas analise seu próprio CRM, suas Redes Sociais. Dados são úteis para precificação, gerenciamento de ofertas e impulsionamento de promoções. Escutar o consumidor é a regra de ouro;
  3. Estude Marketing Digital! O consumidor brasileiro é conectado e altamente social. Temos aproximadamente 60 milhões de brasileiros que já consomem via internet; somos o segundo país do ranking mundial em mais tempo de uso das Redes Sociais e atingimos o impressionante número de 95% dos smartphones do país terem o WhatsApp instalado. Onde sua marca deve estar?

Definitivamente não dá mais para fazer negócios como antes! Se antes era questão de tendência, agora é SOBREVIVÊNCIA.

Obrigada por me acompanhar até aqui! Agora me conta nos Comentários: como sua loja está passando por este momento? Por quais transformações você já passou, enquanto varejista, nos últimos 60 a 90 dias? :)

Comunidade Sebrae
Milena Mancini
Milena Mancini Seguir

Especialista em Marketing Digital. MBA em Neuromarketing. Founder da Projetual, agência de Marketing e Comunicação Integrada. Ministra Workshops sobre Marketing Digital e sobre Comércio Eletrônico em todo país.

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